Veja aqui o que o Partido da Imprensa Golpista (PIG) não mostra!
por Eduardo Guimarães
A mídia demo-tucana é viva, há que reconhecer. Está tendo algum
sucesso em confundir o público para livrar a cara dos dois principais
envolvidos no esquema de Carlinhos Cachoeira: a revista Veja e o
governador Marconi Perillo. Globo, Folha, Estadão, Veja e certa
“esquerda” vão minando a credibilidade da CPI do Cachoeira com bobagens:
1) Dizem que estaria sendo “a mais demorada da história” – a
investigação começou não faz nem um mês –, como se rapidez fosse
sinônimo de apuração séria e apesar de a Comissão ter prazo de 180 dias
para funcionar, os quais podem ser prorrogados por mais 180.
2) Dizem que a CPI está virando “pizza” porque não vai – ou não
ia – igualar os governadores Agnelo Queiroz e Sergio Cabral a Marconi
Perillo, como se houvesse contra estes um milésimo do que há contra o
governador goiano.
3) Estão popularizando como bordão a frase estúpida do SMS do
petista Cândido Vaccarezza de tal forma que até petistas desandaram a
repeti-la a cada 30 segundos, ajudando a nivelar Perillo a Agnelo e
Cabral. Veremos essa frase na mídia durante anos, por conta disso.
4) Agora, a Folha de São Paulo pegou pra Cristo uma assessora de
gabinete do presidente da CPI, Vital do Rego, para estigmatizar ainda
mais a CPI, o que mostra que a mídia está em busca de elementos contra
os investigadores em vez de se interessar pelos verdadeiros
investigados.
Tudo isso é pressão, é para não haver convocação da Veja e para
deixarem Marconi Perillo em paz. Sem a revista e o governador tucano, a
CPI desaba e a mídia sai do processo revigorada, discursando contra quem
dirá que quis “ameaçar a imprensa livre”.
Com seu principal governador e o presidente da CPI no olho do
furacão, espanta que o PMDB não reaja. Claro que parcela relevante do
partido é tucana, mas a maioria não é, tanto que aprovou a aliança com o
PT. A mídia, no entanto, está triturando o PMDB e este reluta em
reagir.
Vai aqui, então, uma ajudinha à CPI para não se deixar trucidar pela
mídia e pela ingenuidade de certa militância dita “de esquerda”.
Se querem igualar Agnelo e Cabral a Perillo apesar de só haver uma ou
duas menções inconclusivas contra o primeiro nas escutas da Polícia
Federal e de não haver uma mísera menção a Cabral, por que o
ex-governador José Serra e o prefeito Gilberto Kassab estão de fora do
rol de convocações de aliados do governo federal que a mídia e a
oposição exigem?
Vamos refrescar algumas memórias. A CPI do Cachoeira já teve acesso
a conversas telefônicas gravadas com autorização judicial entre junho
do ano passado e janeiro deste ano. As escutas mostram que a construtora
Delta foi favorecida por José Serra durante seu mandato de governador e
pelo prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab.
Por exemplo: em janeiro último, Carlinhos Cachoeira telefona para o
diretor da Delta Cláudio Abreu e pergunta se ele teria conversado com o
então dono da empreiteira, Fernando Cavendish, sobre “O negócio do
Kassab”. Em seguida, diz que o prefeito de São Paulo “triplicou o
contrato”. Esse fato é de amplo conhecimento dos membros da CPI e do
Ministério Público de São Paulo.
Veja, leitor, os diálogos que fizeram o Ministério Público paulista abrir inquérito e que estão sob escrutínio da CPI
A Delta começou a atuar em São Paulo em 2005, quando Serra assumiu o
comando do município. Naquele momento, os contratos com o governo
paulistano somavam R$ 11 milhões. Em 2006, quando Serra deixou a
prefeitura e se elegeu governador, os negócios se multiplicaram sem
licitação. Em 2010, os R$ 11 milhões já tinham virado R$ 36,4 milhões.
Entre 2008 e 2011, a Delta abocanhou R$ 167 milhões em São Paulo.
A CPI e o Ministério Público de São Paulo, porém, estão atentando
muito mais para o fato de a Delta ter vencido, ano passado, uma
concorrência para limpeza urbana em São Paulo no valor de R$ 1,1 bilhão.
O MP abriu inquérito, inclusive, devido à existência de documentos
falsos e de um edital aparentemente dirigido.
“
Se a Delta cometeu essas irregularidades em outros Estados e municípios, precisamos apurar se isso ocorreu também em São Paulo”, diz o promotor Silvio Marques, do Patrimônio Público.
Há muito mais contra Serra e Kassab do que contra Agnelo e Cabral.
Por exemplo: em conversa gravada com autorização judicial em agosto do
ano passado, um homem identificado como “Jorge” pergunta a Gleyb
Ferreira, membro da quadrilha de Cachoeira, se o edital de uma licitação
em São Paulo “evoluiu”.
A quadrilha disse que aguardava “
Estar com o edital” naquele dia “
à tarde”
e que Cachoeira queria que os comparsas conversassem com o Heraldo
Puccini Neto, representante da Delta na região Sudeste, pois estava
conseguindo “
Uma prorrogação com o secretário”.
A Polícia Federal garante que o diálogo se refere a uma concorrência
de R$ 1,1 bilhão com o governo de São Paulo e que foi vencida pela
empresa ligada ao bicheiro.
A Delta também conseguiu negócios suspeitos com o governo do Estado
de São Paulo, então sob administração de Serra. Durante o mandato do
tucano, a construtora recebeu R$ 664 milhões do governo paulista. O
valor corresponde a 83% de todos os 27 convênios firmados pela Delta com
o Estado de São Paulo na última década.
A obra sobre a qual se concentram as suspeitas é a de ampliação da
Marginal Tietê. Além de atrasos e falta de compensação ambiental na
obra, o valor pago à Delta aumentou 75% após ela ter vencido a
licitação. Ou seja: a empreiteira venceu a licitação com preço mais
baixo e depois fez um acerto com o governo do Estado para aumentá-lo.
O Ministério Público de São Paulo instaurou Inquérito para apurar a
existência de irregularidades na licitação, superfaturamento e conluio
entre agentes públicos do governo de São Paulo, mais especificamente por
Delson José Amador e Paulo Vieira de Souza, este conhecido como Paulo
Preto, que, durante a eleição de 2010, notabilizou-se como um dos
arrecadadores de doações eleitorais a Serra.
Paulo Preto e Amador foram alvos da Operação Castelo da Areia, da
Polícia Federal, por envolvimento com empreiteiras. Entre os envolvidos
da Delta com a aparente negociata com o governo de São Paulo está o
diretor da empreiteira para a região Sudeste, Heraldo Puccini Neto, que
está foragido após ter a prisão preventiva decretada.
Na disso, porém, saiu em qualquer outro veículo da grande imprensa.
Não passa um dia sem que Globo, Folha de São Paulo, Estadão ou Veja
equiparem supostas evidências contra Agnelo Queiroz e Sergio Cabral à
montanha de evidências que pesa contra Marconi Perillo, mas Serra e
Kassab jamais são mencionados.
Aliás, para não ser injusto, há que reconhecer que nem os militantes
ditos “de esquerda” que se dizem preocupados com a “blindagem” de Cabral
e com o SMS do Vaccarezza têm cobrado que Serra e Kassab sejam
nivelados a Perillo como está ocorrendo com os governadores de Brasília e
do Rio de Janeiro.
Não ponho a mão no fogo por nenhum desses aí. A Delta celebrou
contratos com 21 Estados, com uma imensidão de municípios e até com o
governo federal. Apoiarei, portanto, uma CPI da Delta. Acho até
necessária. Agora, transformar a CPI do Cachoeira em CPI da Delta ou do
SMS do Vaccarezza, é inaceitável. Mas se querem mesmo fazer isso, então
vamos chamar todo mundo para depor, desde que esse “todo mundo” envolva
Serra e Kassab.
Todavia, essa será a melhor forma de ajudar Veja e Perillo, contra os
quais pesam elementos muito mais graves no âmbito das Operações Vegas e
Monte Carlo. Para investigar seriamente o esquema Cachoeira, o correto
seria focar nos principais envolvidos e deixar os contratos da Delta com
todas essas administrações municipais, estaduais e federal para outra
investigação.
A recomendação deste blog à parcela da CPMI do Cachoeira que quer
apurar alguma coisa, portanto, é a de que comece a cobrar que Serra e
Kassab figurem nas cobranças midiáticas que são feitas pelo nivelamento
de Cabral e Agnelo a Perillo. É uma afronta a mídia e a oposição
esconderem os envolvimentos desses dois com Cachoeira.
Sintonia Fina