16 de fev de 2012

Crime sem mandante, corrupção sem corruptor

Por Sergio Lirio
CartaCapital


Inspirado pelo texto de Paulo Henrique Amorim, que reproduzimos neste site, faço um adendo à decisão da Justiça Federal de livrar o banqueiro Daniel Dantas do crime de espionagem e formação de quadrilha no caso Kroll.



O Brasil é um país onde crimes não têm mandantes e corrupção não tem corruptores, só corruptos.





Relembrem a dificuldade em levar a júri os fazendeiros que contrataram o assassino de Dorothy Stang, como se o matador tivesse acordado um dia e decidido por livre e espontânea vontade prestar um “serviço público: livrar os pobres fazendeiros paraenses da religiosa cri-cri.



O mesmo se dá agora. Certamente o pessoal da Kroll condenado pela Justiça decidiu espionar os desafetos e concorrentes de Dantas à revelia (quem sabe contra a vontade) do banqueiro. Imagino a cena: o dono do Opportunity exige de forma veemente que os serviços sejam prestados dentro dos limites da lei, mas acaba enganado pelos inconfiáveis arapongas, ávidos por bisbilhotar a vida de gente que eles mal conhecem. A inocência é uma característica da beatitude – e serve bem à intenção de muitos de transformar Dantas em um santo.



Por fim: basta qualquer investigação, no Congresso ou na Polícia Federal, se aproximar dos nomes dos corruptores privados para que a apuração seja sumariamente enterrada. Esta é, aliás, a forma mais eficiente de acabar com uma CPI.



Sintonia Fina
- O Esquerdopata 

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