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23 de jul. de 2012

O lobby do celular

Veja aqui o que o Partido da Imprensa Golpista (PIG- Partido da Imprensa Golpista) não mostra!






Notem como a imprensa corporativa se esforça para suavizar os danos à imagem das operadoras de telefonia móvel depois da punição da Anatel. Chega-se ao cúmulo de culpar o governo federal pelo sistemático desrespeito que as empresas reservam para seus clientes. Agora, coitadas, elas são vítimas da agência.
Esse comportamento se deve apenas em parte ao ranço oposicionista das redações. É importante lembrar que as teles estão entre os maiores anunciantes da grande mídia, nos mais diversos formatos e suportes. Elas fazem parte de um grupo de investidores pesos-pesados (junto com bancos, provedores de internet, companhias aéreas, planos de saúde) que, mesmo encabeçando as listas de reclamações dos consumidores, desfrutam os misteriosos pruridos de condescendência do bravo jornalismo investigativo. O limite das denúncias é o bom andamento dos negócios.
Não que a Anatel seja imune a críticas. A escandalosa incompetência dos seus atendentes e analistas produz anomalias que a má formação profissional é incapaz de explicar sozinha. A agência tem sido no mínimo omissa diante de flagrantes irregularidades praticadas por prestadoras dos serviços a ela submetidos, endossando precedentes de óbvia ilegalidade que lesam milhões de usuários. As vendas casadas e a propaganda enganosa das concessões de TV a cabo são exemplos corriqueiros, entre muitos, de abusos chancelados pelo órgão.
Se o caos da telefonia atingiu um ponto que ultrapassa até mesmo a inflexível tolerância estatal, podemos imaginar o verdadeiro quadro da situação. Mas não convém esperar que ele ocupe as primeiras páginas. O país vive à beira do colapso numa área que se tornou símbolo da privataria tucana e do pretenso legado neoliberal modernizador dos anos FHC. 
O lobby da telefonia esconde, portanto, mil tentáculos tenebrosos.
Guilherme Scalzilli


Sintonia Fina
- com Com Texto Livre

18 de jun. de 2012

Veja e companhia: “versão moderna da Inquisição”

Veja aqui o que o Partido da Imprensa Golpista (PIG) não mostra!










O arquivamento do processo contra o ex-ministro dos Esportes Orlando Silva pela Comissão de Ética da Presidência da República nesta semana merecia, no mínimo, destaque na imprensa igual ao que tiveram as denúncias sem provas publicadas contra ele. Desde outubro de 2011, o ex-ministro e seu partido, o PC do B, foram atacados e julgados politicamente, em uma campanha suja.
Onde está a legislação que garanta o direito de resposta no Brasil? A quem os atingidos pelas falsas acusações podem recorrer, além da Justiça, que muitas vezes é lenta e, sem uma legislação adequada, não tem parâmetros para tomar suas decisões? O Brasil tem que avançar nisso, como parte do processo de amadurecimento da nossa democracia.
Como afirmei neste blog ontem, que o episódio sirva de alerta a todos os que embarcaram nas denúncias vazias e carnaval feito pela mídia contra o ex-ministro dos Esportes. E que seu legado nos Esportes – COPA e Olimpíadas incluídas – jamais seja esquecido.
Da conversa que tivemos ontem, separei os seguintes trechos para vocês saberem como o ex-ministro analisa a campanha de que foi vítima, como foram esses últimos meses em sua vida e como ele está encarando o seu futuro politico neste momento.

Como o ex-ministro recebeu a decisão da Comissão de Ética da Presidência da República

A decisão da Comissão de Ética da Presidência da República era a esperada porque ela fez uma análise técnica, criteriosa, examinou as informações sobre os personagens que me atacaram na revista VEJA. A Comissão não fez uma análise política, mas centrou-se em documentos e informações. Esse material comprova que nós tivemos uma conduta adequada na gestão pública.
O impressionante neste caso é que, de repente, houve uma completa inversão de valores. No exercício da função de Ministro, nós cumprimos com o que a Lei estabelecia. Havia pessoas que não cumpriram com o que estava fixado no convênio, nós demos oportunidade para que eles prestassem contas, eles não prestaram. Nós, então, exigimos que fossem devolvidos os recursos que foram utilizados irregularmente. Fizemos o nosso papel.
Mas, o que aconteceu? Quem devia cumprir a Lei porque usou recursos públicos de forma inadequada se utilizou de uma atitude irresponsável da revista VEJA para nos acusar sem nenhum fundamento. Aquele que era réu virou acusador. O deliquente apresentou-se como “defensor” do direito público.

Orlando Silva analisa o papel da mídia no que aconteceu a ele

Infelizmente a Revista VEJA deu destaque na CAPA, fez longas matérias. E o mais grave: arrastou a maior parte dos órgãos de comunicação de massa que tiveram uma atitude irresponsável, sem checar as fontes, sem checar documentos, sem dar o devido espaço ao contratório. O que vimos foi uma espécie de campanha, uma versão moderna da Inquisição. Em quinze dias, eu fui acusado, julgado e condenado pela imprensa. Foi feito um grande carnaval durante muitos dias – chegaram a escrever dezesseis páginas em matéria contra mim. Foi um julgamento claramente político. Agora, a Comissão de Ética fez uma análise factual, documental e criteriosa.

O que está por trás da campanha que foi movida contra o ex-ministro e o seu partido, o PCdB, no entender de próprio Orlando Silva

O que vimos foi uma forma inconsequente de fazer ataques a uma força política. Foi um ataque ao governo da presidenta Dilma. Como eles não conseguem fazer o enfrentamento direto, porque o país está crescendo, tem gerado empregos, criado oportunidades para o nosso povo, eles inventam flancos para bater e desgastar o governo da presidenta, como fizeram o tempo todo nos dois mandatos do ex-presidente Lula.
Por isso afirmei ao sair do governo que minha saída tinha como objetivo defender a minha honra pessoal, a do meu partido (PC do B) e, também, defender o governo da presidenta Dilma. Eu não podia ser o instrumento dos conservadores em sua tentativa de criar um flanco para atacar o projeto deste governo. Mesmo porque o nosso projeto de mudança no Brasil passa pelo fortalecimento do governo Dilma. Isso eles não toleram. Eles estão tentando criar ambientes e encontrar caminhos para fragilizar um projeto que tem sido transformador para o Brasil.

As ações contra os autores da campanha e os próximos passos

O meu partido e eu movemos ações contra alguns órgãos de comunicação. Tenho certeza que ao longo dos próximos meses nós venceremos todas as batalhas na justiça. Agora, o assassinato da honra é irreparável e foi feito por irresponsabilidade de alguns órgãos de imprensa.
A minha luta pela verdade e pela justiça continua. Ela tem a dimensão jurídica, nos tribunais. E uma dimensão política, por isso eu fiz a opção de sair candidato a vereador na cidade de São Paulo, onde moro há 20 anos. Eu tive a oportunidade de ter contato com a população e recebo muita solidariedade e apoio. Eu percebo claramente que as pessoas não se deixam mais levar com o que é publicado em alguns jornais e revistas.
Hoje, cada vez mais, as pessoas estão adquirindo capacidade crítica e percebem quando há manipulação. A campanha de vereador em São Paulo tem me permitido rodar a cidade inteira. Tem servido de termômetro disso que estou falando e também do que foi essa campanha contra mim. Felizmente, eu encontro muito apoio. Isso me deixa muito feliz.

Internet, democratização da comunicação e acesso à informação

É preciso salientar o papel da internet. Nesta semana, inclusive, como a decisão da Comissão de Ética praticamente não saiu na imprensa, eu tive um grande apoio nas redes sociais. Agradeço muito a todos os que participaram. Vejam que a resolução da Comissão de Ética é um texto de dez páginas, mas nos jornais foi um rodapé de página, dois segundos na TV. Agradeço também aos companheiros da UJS (União da Juventude Socialista) que realizaram um twitaço divulgando um vídeo de 2 minutos (veja acima), que conta rapidamente a história desse processo. É um bom resumo do que foi esse período. Felizmente, nós temos hoje a luta social pela democratização da comunicação e pelo acesso à informação.
No Blog do Zé

Sintonia Fina

2 de jun. de 2012

Jornalismo da Globo é como farmácia: de manipulação


Veja aqui o que o Partido da Imprensa Golpista (PIG) não mostra!


Vexame: Globo apaga caixa-2 de José Serra e Paulo Preto da entrevista de Pagot


A revista Época (da Globo) repete mais um episódio de parcialidade, manipulação e proteção a José Serra, semelhante à famosa bolinha de papel em 2010, quando contratou o perito Molina.
 
O ex-diretor do Departamento Nacional de Infraestrutura Terrestre (Dnit) Luiz Antônio Pagot, deu entrevista à revista IstoÉ, contendo os trechos:
... me neguei a assinar um aditivo do Rodoanel (...) era empreitada global, não pode fazer aditivo. (...) Quando a obra chegou ao final, a Dersa veio me cobrar mais dinheiro (...) o Paulo Preto apresentou a fatura de R$ 260 milhões. Não aceitei. (...) O Paulo Preto (diretor da Dersa) me ligava toda hora. (...) todos os empreiteiros do Brasil sabiam que essa obra (o Rodoanel) financiava a campanha do Serra (...) Veio um procurador de empreiteira me avisar. "Você tem que se previnir. Tem 8% entrando lá!" Esse 8% era caixa 2. Era 60% para o Serra, 20% para o Kassab e 20% para o Alckmin.
Simultaneamente deu também entrevista à revista Época, das organizações Globo.
 
Esta revista da Globo deu o vexame de não publicar nada sobre o Rodoanel, José Serra, Paulo Preto, Alckmin e Kassab! Só publicou a parte da entrevista que ataca petistas (parte que também foi publicado na IstoÉ).
 
 
 


Em tempo: Pagot diz que ajudou a pedir doações para a campanha petista de 2010, junto a empresários que conhecia, porém dentro da lei e oficiais junto à justiça eleitoral, segundo afirma. Mostra-se ressentido de ter ajudado na campanha e ter sido descartado do governo, resultado de uma conspiração de Cachoeira com a Delta na revista Veja, segundo diz.
O deputado federal José de Filippi Jr emitiu nota de esclarecimento:
 
Nota à Imprensa - Reportagens Época e IstoÉ
Em resposta às matérias publicadas nesta sexta-feira, 1º de junho, “Tesoureiro do PT pediu ajuda a Pagot para campanha de Dilma”, no site da Revista ÉPOCA, e “As confissões de Pagot”, no site da Revista ISTO É, a Assessoria de Imprensa do deputado federal José de Filippi Jr. esclarece que:

1) O deputado José de Filippi Jr. não é tesoureiro do PT. Foi coordenador financeiro da campanha presidencial da candidata Dilma Rousseff, em 2010, e teve as contas aprovadas pelo TSE.

2) O senhor Luiz Antônio Pagot se apresentou voluntariamente no comitê de campanha, como ele mesmo afirma na matéria da ÉPOCA: “Fui um colaborador espontâneo”. À ocasião estava acompanhado de alguns dirigentes do PR e ofereceu apoio logístico para a campanha, na forma da cessão de três aviões do senhor Blairo Maggi. Isto nunca se concretizou.

3) Filippi não solicitou ao sr. Pagot que fizesse contato com empreiteiras e construtoras. Este trabalho era realizado por Filippi, na condição de coordenador financeiro da campanha.

4) É incorreta a informação de que o sr. Pagot encaminhava para Filippi boletos de depósitos de empreiteiras, pois as doações eleitorais são eletrônicas e identificadas pelas instituições bancárias. Assim, a coordenação financeira tinha acesso online aos depósitos feitos.

5) Esclarecemos ainda que a quase totalidade das empresas listadas como doadoras da campanha da Presidenta Dilma Rousseff na reportagem da ISTO É já mantinha contatos com a coordenação financeira, pois doaram para a campanha presidencial de 2006.

Estes são os fatos.
Atenciosamente,
Assessoria de Imprensa do Deputado Federal José de Filippi Jr.
 
 Sintonia Fina

No Blog de Um Sem Mídia

19 de mai. de 2012

Nota de Esclarecimento - Matéria Folha de S. Paulo de 18/05/2012


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A respeito da matéria tendenciosa publicada nesta sexta-feira (18/05) no Jornal "Folha de S. Paulo" sobre um suposto envolvimento meu no esquema do Sr. Carlos Cachoeira, gostaria de esclarecer, mais uma vez, pontos obscuros das afirmações levianas publicadas por jornalistas que, sabidamente, tem o interesse espúrio de me vincular a uma quadrilha cuja investigação está se dando através de Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) originalmente pedida por mim:
 
1) A matéria afirma que fui procurado para tentar barrar uma investigação contra a empreiteira Delta, em Goiânia, em 2009. Ora, se em 2009 eu não tinha sido nem eleito Deputado Federal, como poderia ter alguma influência política na Câmara Municipal, ainda mais em Goiás?
 
2) Por que os jornais "O Estado de S. Paulo" e "Folha de S. Paulo" insistem tanto nos diálogos em que sou mencionado sem, contudo, obter as hipotéticas provas de que estive com membros do esquema do Sr. Cachoeira?
 
3) Como eu poderia ter sido o autor original da CPI do caso Cachoeira se estivesse envolvido no esquema bandido do contraventor de Goiás?
 
4) E por fim, os delegados responsáveis pelas Operações Vegas e Monte Carlo, que trouxeram à tona o esquema criminoso do contraventor de Goiás, já afirmaram em depoimentos na CPMI do caso que não tenho vínculo direto ou indireto com o Sr. Carlos Cachoeira, inclusive com qualquer membro da empresa Delta, e seus agregados.
Atenciosamente,
 
Protógenes Pinheiro de Queiroz
 
Delegado e Deputado Federal pelo PCdoB-SP


Sintonia Fina
- via Com Texto Livre

21 de abr. de 2012

Os segredos do jornalismo investigativo, segundo Policarpo Jr. da Veja

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O jornalista-espião Policarpo Jr. participou de bate-papo com uma turma do Curso Abril de Jornalismo. Leia a seguir seus segredos da investigação jornalística.
 

Sobre ser inocente útil da fonte

 

O repórter recomendou que se fortaleça o contato pessoal com os informantes. “Combinar um almoço pode ser uma boa. Você tira o camarada de um ambiente formal, deixa-o mais à vontade.” No entanto, uma aproximação maior deve ser evitada, para manter a isenção que a profissão requer. “Quando você tem uma ‘fonte amiga’ ou um amigo ‘fonte’, pode ser um inocente útil também”, comentou.
 

Sobre câmeras escondidas

 

A câmera escondida foi outro tema do encontro. O repórter disse que em geral não concorda com seu uso (principalmente na televisão) e questionou a confiabilidade das informações, dada a forma sorrateira como as abordagens ocorrem. “Quando você chega em uma empresa investigada e faz perguntas à secretária de lá, por exemplo... Ela pode contar coisas de que não tem certeza, que supõe que tenham ocorrido... Será que ela pode ser responsabilizada pelo que diz nessas circunstâncias?”.
 

Sobre câmeras escondidas, quando utilizadas por ele

 

No entanto, Policarpo acredita que há exceções para o uso da câmera oculta. Como exemplo, citou a matéria sobre a propina dos Correios, que desencadeou as denúncias do “mensalão”. “Tratava-se de um funcionário público [Maurício Marinho, ex-chefe de Departamento de Contratação da estatal] recebendo propina em um local público. Não havia outra forma de se mostrar o caso”, ponderou.
 

Sobre gravar conversas com a fonte, sem informá-la

 

Sobre gravar as conversas sem o entrevistado saber, o jornalista mais uma vez se justificou com a omissão. “Ele não me perguntou se eu estava gravando. Se tivesse perguntado, teria que dizer que sim.”
 

Sobre corrupção na mídia

 

O repórter de Veja considera que o jornalismo investigativo brasileiro está mal. “Os jornais não investem mais nessa área.” Ele citou uma matéria que fez na Amazônia e que levou seis meses para ficar pronta. “Tem de ter verba para isso, tem de ter infraestrutura.”
À falta de investimento soma-se a sobrecarga dos jornalistas. “Tem pouca gente para fazer muita coisa.” Casos de repórteres em Brasília que fazem matérias para diversos meios (como jornais, sites e rádios) são comuns, como conta Policarpo.
 

Sobre “interferir na realidade”

 

Apesar das dificuldades, o jornalista lembrou da parte gratificante das investigações. “É muito bom ver as coisas acontecerem”, disse a respeito das denúncias que motivam ações judiciais e políticas. “É bom poder interferir na realidade de uma maneira unilateral”, completou.
 
 
 Sintonia Fina
No Blog Limpinho & Cheiroso

Veja mente, mente, mente; descaradamente, mente!

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Ética jornalística: uma reflexão permanente

Eurípedes Alcântara, Diretor de Redação de VEJA
“A ética do jornalista não pode variar conforme a ética da fonte que está lhe dando informações. Entrevistar o papa não nos faz santos. Ter um corrupto como informante não nos corrompe.”
VEJA nunca permitiu que suas páginas fossem usadas para outro fim que não a busca do interesse público. Sempre que uma denúncia é publicada, alguém ganha e alguém perde. Um ministro cai e outro ministro sobe. Um grupo político é prejudicado e outro grupo político é beneficiado. São consequências normais da divulgação de fatos verdadeiros. Em nosso trabalho cotidiano, essas circunstâncias são tão naturais para nós que nos dispensamos de discuti-las. Mas temos de concordar que as pessoas não diretamente envolvidas em nosso trabalho possam, de boa-fé, não entender completamente a natureza do bom jornalismo que praticamos em VEJA. Refleti sobre nossos critérios, nossas relações com as fontes de informação, enfim, nossa missão jornalística. O resultado é o texto abaixo.


“O jornalismo é feito com fontes de informação. O jornalista não é pago para saber. É pago para descobrir. Por essa razão, as relações do jornalista com suas fontes merecem uma reflexão permanente.”
O jornalismo é feito com fontes de informação. O jornalista não é pago para saber. É pago para descobrir. Por essa razão, as relações do jornalista com suas fontes merecem uma reflexão permanente. Os profissionais de VEJA seguem as regras escritas da Editora Abril, cujo Código de Conduta estabelece: “O jornalista da Abril não tem relação de trabalho com, nem presta serviço, ainda que eventual, para qualquer pessoa, empresa ou entidade que seja, ou possa a vir a ser, fonte de informação. A Abril jamais paga entrevistados por informação de nenhuma espécie, de forma direta ou indireta. Sempre que possível, o jornalista deve pagar por almoços e jantares com fontes ou seus representantes. Cabe ao profissional e a sua chefia imediata definir as situações em que a aplicação desta regra pode afetar o relacionamento com a fonte.” Posturas Éticas – Guia para Jornalistas e Produtores de Conteúdo do Grupo Abril – Complemento do Código de Conduta.”
Em complemento ao Código de Conduta da Abril, a redação de VEJA em seu Plano Editorial anual reafirma que a “independência” é o maior valor de um jornalista da revista. Por independência, diz o Plano Editorial, entende-se que o repórter não aceita nenhuma barganha editorial com as fontes em troca de informações. Em nosso cotidiano, embora seja uma regra não escrita, sempre avaliamos as informações que recebemos das fontes tendo como único metro o interesse público que se confunde com o interesse jornalístico. Isso significa que as inúmeras informações pitorescas ou de caráter pessoal, comportamental ou sexual de autoridades e governantes que nos chegam na forma de fotos, vídeos e gravações nunca são usadas por serem ofensivas e nada ajudarem na compreensão dos fatos públicos.


 “O ensinamento para o bom jornalismo é claro: maus cidadãos podem, em muitos casos, ser portadores de boas informações.”
Os jornalistas de VEJA estabelecem com suas fontes uma relação em que fica claro desde o primeiro momento que não se trata de uma relação de troca. A fonte não terá nenhum outro privilégio por fornecer informações, a não ser a manutenção do sigilo, caso isso seja do interesse dela. As fontes nunca são desinteressadas das reportagens com as quais colaboram fornecendo informações. Um corrupto que passa informações quer se vingar de outro corrupto ou espera atrapalhar o negócio do concorrente com o governo. Nos dois casos, o jornalista precisa ter noção exata do interesse da fonte e usar a informação quando e somente se a vinda dela à luz servir mais ao interesse público do que ao do próprio informante. Um assassino que revela na cadeia um plano para assassinar o presidente da República é possuidor de uma informação de interesse público – e pelo mecanismo da delação premiada ele pode ter sua pena atenuada ao dar uma informação que impeça um crime ainda pior do que o cometido por ele. Portanto, temos aqui uma situação em que a informação é de qualidade e o informante não, por ser um assassino. O ensinamento para o bom jornalismo é claro: maus cidadãos podem, em muitos casos, ser portadores de boas informações.


 “Uma informação de qualidade é verificável, relevante, tem interesse público e coíbe a ação de corruptos.”
O repórter que se preza não despreza uma fonte de informação sobre casos de corrupção com base apenas no fato de que o informante é corrupto. Mas como se cativa e se mantém um informante desse tipo sem acenar com alguma vantagem para ele? O jornalista, consciente dos interesses subalternos do informante, deve tentar obter dele o que for relevante para o interesse público – e publicar. O mais provável é que o informante se sentirá gratificado por ter conseguido o objetivo de ver a informação tornada pública e o jornalista também terá cumprido sua missão de trazer à luz fatos que, de outra forma, nunca sofreriam o efeito detergente dos raios solares. Ao jornalista cabe distinguir:
A) se a informação é verificável;
B) se a informação é relevante e de interesse público;
C) se a vinda da informação a público ajudará a diminuir o escopo de ações dos corruptos, entre eles o próprio informante.
Cumpridas as três condições acima, a informação merece ser levada a sério, a despeito, repita-se, da estatura moral do informante.
O bom jornalista não se deixa paralisar estabelecendo como critério só ter como fontes pessoas que passem pelo crivo ético mais elevado. Isso não deve ser confundido de jeito nenhum com a ideia de que vale tudo. O critério de VEJA é claro. As informações precisam ser qualificadas, independentemente da estatura moral do informante. Pessoas de estatura moral questionável podem deter informações de altíssimo padrão de qualidade jornalística. Digamos que a informação trate de uma negociação de pagamento de propina. Quem tem mais condições de contar o que aconteceu? Quem estava lá ou quem não estava lá? A resposta é clara: quem estava lá, ou seja, um dos envolvidos.
Evidentemente, o critério acima não vale para fontes que queiram dar opiniões. Não abrimos espaço para pessoas de baixo padrão moral dar opiniões. No processo de coleta de opiniões, procuramos as mais qualificadas autoridades mundiais para entrevistar, onde quer que estejam. Se uma fonte moralmente discutível testemunhou um fato importante, quer contar o que presenciou e se o que ela narra é verificável por outros meios, consideramos que ela pode ter uma informação que vale a pena ser levada em conta. Se essa mesma fonte quiser dar uma opinião a respeito daqueles mesmos fatos, não aceitamos. A qualidade da informação pode independer da qualidade da fonte. Já a opinião é indissociável de quem a emite. A qualidade de quem opina afeta a qualidade da opinião.


“A ética do jornalista não pode variar conforme a ética da fonte que está lhe dando informações. Entrevistar o papa não nos faz santos. Ter um corrupto como informante não nos corrompe.”
Esse ponto merece uma análise mais detida. Como o jornalista deve diferenciar sua relação quando uma fonte é, digamos, um economista respeitado e outra fonte é um criminoso? O jornalista deve ter em mente que ambos podem ser detentores de informações da melhor qualidade. O criminoso pode ter sido testemunha de um crime e seu depoimento pode ajudar a desbaratar uma quadrilha perigosa. Não se pode desprezar o que ele tem a dizer. É preciso ouvir, analisar, pesar, checar, contextualizar. Um economista respeitado, caricaturando, pode estar teoricamente equivocado sobre algum fenômeno ou pode estar a serviço de algum especial interesse econômico ou comercial. Enfim, ambos valem pelo teor, qualidade e grau de interesse da informação verdadeira de que são detentores. É preciso atentar para o fato de que, mesmo que a fonte seja um assassino esperando a execução de uma sentença de morte (exemplo verídico transformando no livro O Jornalista e o Assassino pela americana Janet Malcolm), ela merece ser tratada com respeito. Se a fonte não tem ética, isso é problema dela. A ética do jornalista não pode variar conforme a ética da fonte que está lhe dando informações. Entrevistar o papa não nos faz santos. Ter um corrupto como informante não nos corrompe.
Quando o jornalista lida com uma fonte que tem uma informação verdadeira, verificável e relevante, ele precisa ter consciência dos interesses particulares do informante. Deve avaliar se o interesse público maior supera mesmo o subproduto indesejável de satisfazer o interesse menor e subalterno da fonte. Se o resultado for positivo, a informação se candidata a ser publicada. Por isso, o jornalista não pode ser amigo de fontes. Não pode aceitar presentes, convites para viagens ou quaisquer outros agrados.
VEJA nunca publicou conteúdos de gravações obtidas ilegalmente, portanto o que segue aqui tem o objetivo apenas de refletir sobre certos limites. Quem se favorece conscientemente do produto de furtos, roubos ou outros crimes é potencialmente cúmplice do autor. Por essa razão, o jornalista que eventualmente receber uma gravação obtida ilegalmente e usá-la em uma reportagem pode estar se expondo aos rigores da lei. Desse modo, ele só deve dar esse passo arriscado quando o custo para a sociedade de desprezar o conteúdo da gravação for muito grande. Se o preço pessoal de evitar um crime ou uma sequência de crimes dando publicidade a gravações ilegais for incorrer em uma transgressão menor, o jornalista tem o dever de considerar correr esse risco. Em VEJA, casos assim jamais são decididos individualmente por um jornalista, mas pela direção da revista. O trabalho jornalístico envolve vários riscos. Como qualquer trabalho. Do cirurgião, do advogado. Do engenheiro. Se ele tomar todos os cuidados, os riscos serão minimizados, mas jamais eliminados. A primeira preocupação de VEJA ao ter acesso a uma informação é entender como a informação foi obtida.
Se a publicação do produto do crime tiver relevância para evitar crimes piores, e mesmo que isso ajude a vender revistas, não se incorre em falha ética. Se um jornalista furtar da pasta de uma pessoa, por exemplo, um plano para explodir a represa de Itaipu e se com a publicação do plano ele evitar o ataque terrorista - e ainda vender mais revistas –, a implicação ética lhe será altamente favorável.


“O bom jornalismo é uma atividade de informação mediada. O jornalista não é um mero repassador de declarações. Ele tem o poder discricionário de não publicar uma acusação ou uma ofensa grave.”
As informações obtidas com a garantia de manter o sigilo da fonte trazem desafios adicionais ao jornalista. As informações obtidas de fontes anônimas, que não podem ou não querem se identificar, devem ser usadas preferencialmente como confirmação de dados ou relatos já obtidos de outras fontes. Mas é um erro desprezá-las. Muitas vezes um informante testemunhou fatos relevantes e a única condição que coloca para narrá-los é a manutenção do sigilo sobre sua identidade. A regra básica para errar menos com o uso de fontes anônimas é ter em mente que o leitor pouco ou nada saberá sobre quem deu a informação, portanto o jornalista tem de saber tudo sobre a fonte. VEJA muitas vezes não tem meios de confirmar com outras fontes as informações passadas por uma fonte que pediu OFF. 
 Digamos que uma discussão entre duas pessoas seja contada em OFF por um dos participantes. VEJA não vai publicá-la se a outra pessoa não confirmar? Talvez sim, talvez não. Depende do conteúdo do diálogo passado. A lição é a de que o bom jornalismo é uma atividade de informação mediada. O jornalista não é um mero repassador de declarações. Ele tem o poder discricionário de não publicar uma acusação ou uma ofensa grave. Se o custo de não publicar for prejudicial ao interesse público, o jornalista deve pesar os riscos e corrê-los se necessário. 

Uma fita contendo revelações importantes (depois de devidamente periciada e contextualizada) tem valor extraordinariamente maior do que uma frase acusatória, seja em OFF ou em ON. VEJA sempre pericia os diálogos gravados que publicou e guarda esses registros. VEJA já publicou diálogos que lhe foram entregues degravados sem ter tido acesso ao conteúdo original – mas o fez com absoluta segurança da origem do material. Existe uma diferença grande entre uma acusação em OFF e uma fita. A fita, muitas vezes, envolve um diálogo de duas pessoas acusando uma terceira – que pode ser inocente. E ela acaba sendo envolvida num escândalo involuntariamente. Isso raramente acontece na acusação, ainda que em OFF. Por isso, todo o cuidado é pouco com esse tipo de informação.
O documento (depois de periciado e contextualizado) tem valor exponencialmente maior do que uma informação oral, desde que o conteúdo de ambos seja equivalente em relevância. Mas às vezes um documento mente e a informação falada tem mais valor. Exemplo: como forma de mostrar seu distanciamento de uma denúncia de corrupção, o ministro envia um memorando cobrando de seu assessor informações sobre a irregularidade. Esse documento pode ser apresentado pela autoridade como prova de sua inocência. Uma apuração mais aprofundada pode provar que aquele documento não passava de uma armação. Ou seja, cada caso é um caso.
“A regra para lidar com gravações ilegais que registraram atividades de cidadãos ou empresas privadas em seus negócios particulares é: descartar sem ouvir ou assistir – ou, alternativamente, entregá-las às autoridades.”

A fita (periciada, contextualizada) tem muito valor. A perícia ajuda a mostrar se a fita chegou à redação em condições de ser usada como prova. Às vezes, as gravações são inaudíveis ou indecifráveis – ou a fita pode ter sido adulterada com o propósito de mudar o sentido das falas. Nesses casos, ela vai para o lixo.
É crucial enfatizar um ponto da mais alta importância. O que se discute aqui é a publicação de informações que dizem respeito à atuação de autoridades e suas relações com terceiros quando tratam de questões que envolvem dinheiro ou outros bens públicos. A regra para lidar com gravações ilegais que registraram atividades de cidadãos ou empresas privadas em seus negócios particulares é: descartar sem ouvir ou assistir – ou, alternativamente, entregá-las às autoridades.
“As informações são tratadas em VEJA como portas que se abrem para a obtenção de novas informações. Todas elas são checadas.”

Nenhuma reportagem de VEJA – com a exceção óbvia da entrevista das Páginas Amarelas – é feita com base em apenas uma única fonte de informação. As informações são tratadas em VEJA como portas que se abrem para a obtenção de novas informações. Todas elas são checadas, contextualizadas e comparadas, de modo que os eventuais erros que possam ocorrer sejam aqueles que conseguiram escapar de nossos rigorosos mecanismos de filtragem – e nunca resultado de má-fé.
São Paulo, 20 de abril de 2012






Sintonia Fina
-com Com Texto Livre

13 de abr. de 2012

Protógenes solicita informações ao Procurador-Geral

Veja aqui o que o Partido da Imprensa Golpista (PIG) não mostra!

Em ofício enviado hoje (11/04/2012) ao Procurador-Geral da República, Dr. Roberto Monteiro Gurgel Santos, o Deputado Delegado Protógenes (PCdoB-SP) solicita informações da investigação sobre o caso “Cachoeira” que possam incriminar sua atuação parlamentar, conforme matéria tendenciosa veiculada no jornal “O Estado de São Paulo”.


No documento, o Parlamentar questiona a existência de dados, além de áudios e vídeos envolvendo seu nome e se os mesmos evidenciam conduta criminosa relacionada com o esquema de contravenção do empresário goiano “Carlinhos Cachoeira”, desbaratado pela Polícia Federal através da Operação Monte Carlo.
Por fim, Protógenes pede o encaminhamento das supostas informações com urgência, uma vez que é o autor do pedido de criação da CPI do Cachoeira, que tem como objetivo investigar o envolvimento de parlamentares nos negócios ilícitos do contraventor de Goiás.









Sintonia Fina
-Com Texto Livre