3 de jun de 2013

Dilma caiu e o PIG não viu?!

Por Eduardo Guimarães
Quem quiser ter uma pálida ideia da quantidade de trapaças políticas que serão empreendidas pela direita midiática no ano que vem para tentar recolocar o PSDB no poder tem que prestar atenção a uma das mais claras que já se viu e que foi lançada neste domingo.
A suposta “notícia” é bombástica.


Sendo verdadeira, encerraria o fato político mais importante dos últimos dez anos: segundo a Folha de São Paulo, após uma década em que os dois presidentes da República que o país teve no período desfrutaram de popularidade nas alturas, a atual detentora do cargo teria sofrido uma IMENSA queda de popularidade.
Não é pouca coisa. Só no período mais difícil do governo Lula (2005) algumas pesquisas chegaram a registrar, por dois ou três meses, recuo em sua popularidade. E isso no âmbito de uma crise política só comparável à que provocou o impeachment de Fernando Collor.
De janeiro de 2006 para cá, tanto Lula quanto Dilma vieram ganhando popularidade mês a mês. O primeiro terminou seu mandato (2010) com cerca de 80% de aprovação e a segunda, até as últimas sondagens oficiais divulgadas chegara ao mesmo patamar do antecessor.
Eis que, neste domingo, o país recebe uma informação que encerra um terremoto político: segundo a Folha de São Paulo, que também é dona do instituto de pesquisas Datafolha, Dilma perdeu nada mais, nada menos do que DEZ PONTOS PERCENTUAIS de aprovação.
Por muitas vezes este Blog duvidou de pesquisas de opinião sobre política. Contudo, sempre durante campanhas eleitorais. Nesses momentos, o instituto Datafolha, entre outros, divulgou números que depois não vingaram e o candidato que seria prejudicado por eles acabou vencendo a eleição.
Neste momento de bombardeio midiático contra Dilma, até daria para crer em uma sua queda de popularidade. A campanha contra ela está avassaladora. Não passa um só dia sem que os grandes meios de comunicação digam ao país que está à beira do abismo.
Se a “notícia” sobre a enorme queda de popularidade de Dilma tivesse vindo de uma pesquisa Datafolha ou Ibope, apesar da suspeição de esses institutos serem vinculados a interesses políticos até daria para acreditar neles devido ao ímpeto da campanha de desmoralização do governo que se vê em curso.
O grande problema é que a informação não foi apurada por nenhum instituto de pesquisa conhecido. O jornal oposicionista não diz quem fez a pesquisa e não dá detalhe algum sobre ela além do tamanho do tombo da popularidade de Dilma.
Ainda assim, vá lá, tenhamos boa vontade. Uma fonte palaciana poderia, sim, ter feito essa inconfidência a um dos maiores inimigos do ocupante do Palácio do Planalto – traição é quase uma norma na política.
Mas mesmo com toda boa vontade do mundo, reflitamos um pouco mais.
Segundo a Folha, a estrondosa queda de popularidade de Dilma teria ocorrido em abril após a presidente, em março, ter dado declarações que, na visão do veículo, contemporizaram com mais inflação em troca de mais crescimento econômico.
Até aí, tudo bem. Se formos analisar a razão para essa perda de popularidade, porém, vamos concluir que uma legião de brasileiros, que em uma década jamais deixou de apoiar o governo federal, de repente mudou de ideia por uma simples frase da presidente.
Eita povo politizado e atento, o brasileiro! Sendo verdade, estamos melhorando muito…
Mas não é só isso. Como é que a mídia, os institutos de pesquisa, os partidos de oposição, enfim, todos aqueles que anseiam há UMA DÉCADA por uma notícia dessas perderam a chance de apurar que, após tanto tempo, finalmente a artilharia deles surtiu efeito?
A última pesquisa de um grande instituto sobre a aprovação de Dilma foi a CNI-Ibope, divulgada em 19 de março. Nela, 79% dos entrevistados disseram aprovar a forma com que ela governa o país.
Em abril – quando, segundo a Folha, Dilma despencou – não foi divulgada nenhuma pesquisa, mas isso não significa que tanto o governo quanto seus adversários pararam de apurar a popularidade da presidente.
Como acreditar que uma queda tão expressiva de popularidade – dez pontos, em estatística, é uma enormidade – tenha ocorrido e a mídia e os partidos de oposição, com seus mega institutos de pesquisa, não perceberam nada e que só o governo percebeu?
O mais impressionante, no entanto, talvez não seja o “cochilo” da oposição midiática, mas a recuperação da popularidade da presidente por ela ter permitido a alta dos juros em abril e, de novo, agora em maio.
A tese sugere que juros mais altos eram um clamor nacional. Como Dilma aceitou encher um pouco mais os bolsos dos banqueiros, sua popularidade se recuperou e voltou para onde estava, ou quase para onde estava, pois hoje teria recuperado 8 dos 10 pontos perdidos.
Sob um fenômeno tão incrível (literalmente), claro que não dá para apurar se isso de fato ocorreu. Como nenhum grande instituto de pesquisa e os partidos de oposição não apuraram nada e a popularidade da presidente teria se recuperado após cair, só o que se tem é a palavra da Folha.
Fontes do governo que certamente não falaram à Folha, no entanto, disseram a este Blog exatamente o contrário, que a popularidade de Dilma não cedeu um mísero ponto e, mais ainda, que não deve ceder.
Não se descarta a possibilidade de o governo não querer admitir uma queda de popularidade que apurou. Mais uma vez, diante da imensa campanha que tomou toda a grande mídia e que vende que o país estaria em ruínas – enquanto o governo se cala –, não seria de espantar.
Contudo, é de se perguntar o que o vice-presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, veio fazer em um país arruinado, à beira do abismo. E, ainda por cima, louco para fazer negócios com ele, praticamente implorando aos empresários brasileiros que façam negócio com seu país.
Mas vejam só o Partido da Imprensa Golpista, hein… Quanta incompetência, meu Deus! Finalmente a popularidade de Dilma caiu, só que o PIG não viu.
A volta do voto censitário
Está rolando no Facebook uma petição de militantes do PSDB que, na prática, reinstitui no país o voto censitário.
Para quem não sabe, voto censitário é a concessão do direito apenas àqueles cidadãos que atendem certos critérios que provem condição econômica.
No Brasil, o voto censitário foi estabelecido pela constituição de 1824 e abolido pela de 1891.
O voto censitário esteve em vigor durante todo o período monárquico brasileiro. Para os padrões da primeira metade do século XIX, o critério exigia renda de 100 mil-réis para votar.
Abaixo, a imagem da campanha fascista que está recebendo adesões de montes de eleitores de oposição.


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