8 de abr de 2013

Um candidato da oposição vivendo num mundo de fantasia




Por Zé Dirceu

Em entrevista camarada na Folha de S.Paulo no fim de semana (domingo) - "camarada" porque o mesmo espaço e tipo de entrevista não foram dados, ainda, aos outros pré-candidatos presidenciáveis -, o senador Aécio Neves (PSDB-MG) adota o discurso já disseminado de que a presidenta Dilma é “leniente” com a inflação e intervencionista, ao querer "até controlar o lucro de empresários". “No governo do PSDB, existia tolerância zero com a inflação”, afirma.

“Defendo que o Banco Central tenha total autonomia para fazer o que considerar necessário. Se avaliar que é preciso subir juros para conter a inflação que ele mesmo diz ser preocupante, então tem de subir os juros. O que não pode é haver interferência política, de viés eleitoral”, completa o senador. Ao mesmo tempo, ainda que evite falar diretamente o que faria, ele deixa claro que não tomaria medidas contra uma questão crucial, o desemprego. Fala apenas em aumento de competitividade e investimentos corretos.

Sobre as contas de luz, ele diz: “Nós também defendemos a diminuição das tarifas. Propusemos uma redução até maior, mais 6%, com diminuição do PIS/Cofins nas contas de luz. O governo do PT, com um populismo enorme, fez disso uma moeda eleitoral. Dilma fez uma intervenção no setor e viu que foi equivocada. Hoje, todas as distribuidoras (de energia) estão pedindo financiamentos ao governo e vão receber dinheiro do Tesouro, o dinheiro da dona Maria, que tinha de ir para saúde, educação.”

Isso é falsear a verdade

É no mínimo escondê-la, escamoteá-la. Quem não se lembra que o senador Aécio liderou a resistência no Congresso à aprovação da Medida Provisória (MP) que a presidenta Dilma baixou reduzindo as contas de luz? E que foram os três principais Estados governados pelos tucanos, Paraná, São Paulo e Minas Gerais, que boicotaram um aumento maior proposto pela presidenta e que as energéticas desses três Estados não aderiram à renovação das concessões?

E já que o senador propôs diminuição do PIS/Cofins, tributos federais, por que em nenhum momento sugeriu que os Estados, Minas inclusive, reduzissem um imposto estadual, o ICMS, incidente sobre energia? Aécio Neves com espaço à vontade na mídia fala o que bem entende.

Agora no fim de semana na Folha, a última dele é sobre inflação, desemprego e câmbio. Esquecendo, é óbvio, que os tucanos deixaram o país com alto desemprego e com o dobro de inflação da meta de hoje. E que usaram e abusaram do câmbio administrado e com a ilusão do câmbio fixo a um real por dólar (paridade), que nos custou juros de até 27,5% reais ao ano.

Com juros altos, governos tucanos dobraram dívida interna

Além de, em consequência, nos deixarem a herança da dívida interna que dobrou nos oitos anos de FHC (1995-2002), apesar do aumento da carga tributária em 100% que impuseram ao país e da venda do patrimônio público na privataria tucana. Como vocês podem constatar, o senador Aécio, candidato tucano já lançado e em campanha pela presidência da República no ano que vem, vive num mundo da fantasia.

O câmbio, a exemplo do que faz atualmente o Brasil, é administrado em todo o mundo. Ao defender uma politica de omissão frente à moeda, o senador condena nossa indústria à destruição. Da mesma forma que, ao se opor a redução do preço da energia e ao papel dos bancos públicos, quer na verdade subir os juros e jogar a economia numa recessão, sonho dos rentistas e do capital financeiro.

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