26 de abr de 2013

O que dá raiva no governo


Os governos Lula e agora o de Dilma representam um notável avanço em relação aos anteriores, principalmente na ampliação do mercado de consumo e das políticas sociais, que possibilitaram a ascensão de milhões de pessoas.
Isso, porém, não significa que eles tenham feito tudo certo, ou que não existam pontos em que mereçam ser severamente criticados.

Não dá para entender, por exemplo, essas questões:

1) o titubeio em relação à instituição de um marco regulatório para o setor de comunicações que leve o país à contemporaneidade;

2) a manutenção das taxas de juros em níveis civilizados, solidificando a ação iniciada no ano passado, e que, tudo indica pelas manifestações da diretoria do Banco Central, não terá continuidade em 2013;

3) a submissão da agenda política ao oligopólio das comunicações, que, qualquer um sabe, funciona como o mais importante partido político de oposição;

 4) o pouquíssimo uso das concessões de rádio e televisão para informar o público sobre medidas que lhes diga respeito;

5) o  financiamento generoso dos órgãos de comunicação, ou melhor, dos partidos políticos oposicionistas;

6) as bondades tributárias, entre outras, concedidas a setores empresariais que deixaram de investir em sua modernização e foram totalmente ultrapassados pela concorrência externa;

7) as bondades fiscais, entre outras, ao setor automobilístico, sem contrapartidas de verdade, tais como a modernização dos seus produtos e a diminuição dos preços de venda ao consumidor;

Existem, claro, muitos outros pontos em que os governos trabalhistas pisaram na bola. E que se não chegam a comprometer seriamente o conjunto da obra, servem para deixá-los com uma cara bem mais próxima daquilo que seus inimigos, a "turma do contra" citada por Dilma, gostaria que eles tivessem.

Os motivos para que isso aconteça são, para os pobres mortais que não acompanham os bastidores brasilienses, absolutamente indecifráveis.

Talvez os nossos governantes tenham até mesmo todas as razões do mundo para ignorar solenemente as questões aqui levantadas.

Pode ser. 
Eu até gostaria que fosse assim, mas duvido muito disso.


Um comentário:

Apelido disponível: Sala Fério disse...

Respondi no blog dele. O Motta não está errado, mas muito do que ele critica na realidade faz parte do jogo do possível e do desejável. Para aprovar uma lei de meios tem que ter amplo apoio da sociedade, ou o Congresso não aprova. Verbas de publicidade oficial são dadas em boa parte a grandes grupos porque a concentração existente é grande e porque as leis que impõem a publicidade dos atos administrativos obrigam a publicar em 'veículos de grande circulação'. Os juros (SELIC) de hoje são a terça parte do que eram quando o PT assumiu o poder. Não há como abrir mão totalmente dessa ferramenta para controlar surtos inflacionários, sejam eles criados pela mídia ou não. Muito do que ele fala representa esse limite entre o que se quer e o que dá pra fazer. Nem sempre é 'covardia' ou 'falta de vontade política' ...