18 de abr de 2013

O poder do capital financeiro e o cinismo da mídia...


Editorial do Vermelho:


Mais uma vez, o capital financeiro, as forças conservadoras e a mídia privada conseguiram fazer prevalecer a sua pressão. Pela primeira vez em quase dois anos, o Banco Central reajustou os juros básicos da economia. Por 6 votos a 2, o Comitê de Política Monetária (Copom) aumentou a taxa Selic em 0,25 ponto percentual, elevando-a para 7,5% ao ano. A decisão ignorou o clamor nacional em sentido oposto, precisamente o de seguir com a política de redução dos juros.


A decisão contraria uma tendência, que se consolidava gradualmente, de reduzir a taxa de juros. Os juros altos constituem um dos principais fatores de contenção do crescimento econômico. Certamente por esta razão, a decisão do Banco Central foi difícil, o que se evidenciou na falta de unanimidade. Esperemos agora a ata, que mostrará em detalhes a argumentação dos diretores e apontará se há de fato uma nova tendência.

Nos últimos dias, a presidenta da República havia dado sinais de que não optaria pelo caminho recessivo para conter a inflação. Finalmente, deu sinal favorável de que houvesse um pequeno aumento da taxa de juros agora, depois de se aconselhar com importantes figuras do pensamento econômico do país, que mesmo sendo desenvolvimentistas, consideraram necessário aumentar os juros como espécie de remédio amargo no combate à inflação.

É óbvio que a decisão está em discordância com o Brasil produtivo, principalmente os trabalhadores, com todos os setores que almejam de fato o desenvolvimento nacional e sabem que para isso é necessário frear o capital financeiro. Como afirmou em nota a Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do, a CTB, o aumento dos juros premia os banqueiros, especuladores e rentistas e contraria a nação.

A elevação da taxa básica de juros é uma injeção de recursos da ordem de bilhões de reais a mais no bolso dos credores da dívida pública, principalmente os banqueiros, useiros e vezeiros na arte de especular pelo mecanismo perverso de rolagem dessa dívida.

A forças que lutam pelo desenvolvimento nacional e a valorização do trabalho compreendem a necessidade de combater a inflação, pois a espiral dos preços, sobretudo dos alimentos, afeta o povo em geral, cujo poder aquisitivo já é baixo. Mas tentar supostamente resolver o problema com a mesma receita neoliberal e financista de sempre implica estagnação econômica, desemprego, arrocho salarial e na sequência perda de direitos sociais. É notório que o aumento dos juros compromete o crescimento econômico deste ano, numa conjuntura marcada por uma quase recessão no ano passado.

Por isso, medidas como esta encontram-se no alvo da crítica dos trabalhadores, numa revelação de que a questão de aumentar ou não os juros concentra conflitos políticos e sociais de fundo.

A decisão do Copom, contrária às expectativas do Brasil produtivo, é um episódio destes conflitos. No momento, seu resultado é revelador da cedência diante da brutal pressão do capital financeiro, cedência perigosa, pois é inevitável que uma conjuntura de agravamento das dificuldades econômicas poderá ter reflexos políticos e criar cenários desfavoráveis para a ampla coalizão que respalda o governo da presidenta Dilma Rousseff.

Mais uma vez prevaleceu uma concepção falsa, mostrando que o embate político e ideológico em torno da gestão econômica do país é duro e complexo, o que revelador da hegemonia que o capital financeiro ainda exerce no país, um estorvo ao desenvolvimento nacional e ao progresso social. Enfrentar esse poder exige ampla mobilização política e social.

SINTONIA FINA - @riltonsp




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