18 de fev de 2013

Dilma favorece o Brasil, fazendo grandes bancos brigarem por mais espaço...



TROCAS APONTAM FIASCO NA FUSÃO SETUBAL-SALLES




Pela segunda vez em menos de dois anos, Itaú Unibanco inicia mudanças em seu comando; desta vez, sob ordens diretas de Roberto Setubal (à esq.) aparentemente sem consultas a Pedro Moreira Salles (à dir.); lucros 7% menores e provisões 20% maiores contra inadimplentes em 2012 devem penalizar executivos do Unibanco que foram promovidos um ano atrás sobre dirigentes do Itaú; plano anunciado em 2008 de tornar-se a maior instituição financeira do hemisfério sul não sai do papel; isolamento político é pano de fundo para trocas que eram mantidas em segredo...

247 – A fusão entre o Itaú e o Unibanco, datada de novembro de 2008, está em crise – mais uma vez. Entre o final de 2011 e início de 2012, uma ampla reformulação entre as vice-presidências da instituição foi executada. Resultou na ascensão de executivos do Unibanco sobre os dirigentes de carreira do Itaú. Neste momento, entretanto, uma nova dança das cadeiras está em curso, agora comandada pessoalmente pelo presidente do Conselho de Administração, Roberto Setubal. 

Os resultados da experiência Unibanco Itaú não foram os esperados, e a intenção é voltar à fórmula Itaú Unibanco, isto é, com os dirigentes do primeiro sobrepondo-se aos do segundo. Mas ninguém sabe se nessa gangorra de vai e volta o brilho financeiro será recuperado.

Em 2012, o lucro da instituição resultado da fusão entre os bancos das famílias Setubal e Moreira Sales recuou alarmantes 7% sobre o resultado de 2011. Ao longo do ano passado, em outro dado que desagradou em cheio ao mercado, “a operação de financiamento de veículos”, como narra em reportagem desta segunda-feira 18 o jornal Valor Econômico, “foi tão desastrosa que o banco não conseguiu nem mesmo recuperar o capital principal investido”. Em consequência, o Itaú precisou provisionar R$ 24 bilhões para precaver-se diante de devedores duvidosos, montante 20,7% superior ao destinado para a mesma rubrica em 2011. 

No momento em que as instituições financeiras públicas e privadas procuram acelerar na concessão de crédito, o Itaú precisou tirar o pé do acelerador para arrumar-se internamente.

No mês passado, o primeiro a perder o cargo na cúpula da instituição foi o economista Sérgio Werlang. Ele não tem origem no Unibanco, mas na equipe econômica de Pedro Malan, que deixou o Ministério da Fazenda para ser dirigente da casa bancária dos Moreira Salles. Responsável pelas áreas de Risco e Finanças, Werlang foi substituído por Eduardo Vassimon, que vinha do Itaú BBA. O setor passou a ser monitorado diretamente por Setubal.

Alçado à vice-presidência de Seguros, Ouvidoria e Riscos Internos, Marcos Lisboa, que era da equipe do Unibanco, pode ser a próxima baixa. Também da mesma origem, José Castro Araújo Rudge balança no comando das áreas de Comunicação, Marketing, Pessoas e Eficiência. 

O Valor, na reportagem das jornalistas Carolina Mandi e Vanessa Adachi, deixa aberta a possibilidade de que ambos apenas percam algumas funções, que seriam consideradas excessivas. De todo modo, parece certo que abrirão mão de poder.

Mantida em sigilo até agora, a nova reforma no comando do Itaú Unibanco tem também um viés político. A instituição isolou-se do governo, recebendo críticas indiretas do próprio ministro Guido Mantega, que gostaria de ações mais objetivas para a concessão de crédito em maiores proporções. Roberto Setubal está comandando pessoal a reforma.

A julgar pelos números do lucro descrescente e da inadimplência em alta, Setubal tem tudo para estar arrependido de ter promovido a fusão com o Unibanco. Há, ainda, como pano de fundo, o fracasso das duas grandes metas anunciadas nas festividades promovidas em torno da fusão, em 2008. Ele e seu parceiro Pedro Moreira Salles prometeram fazer do Itaú Unibanco nada menos que a maior instituição financeira do Hemisfério Sul e, ainda, o mais internacionalizado banco do País. 
Como milhares de seus clientes, também estão devendo.

Sintonia Fina

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