24 de mai de 2012

TV Globo ameniza irresponsabilidade dos tucanos paulistas e tenta nacionalizar greves de metroviários e ferroviários


Veja aqui o que o Partido da Imprensa Golpista (PIG) não mostra!



Por Davis Sena Filho 
         
O “Bom (Mau) Dia Brasil”, da TV Globo, fez novamente hoje um grande esforço para proteger os tucanos de São Paulo, seus aliados políticos e de negócios, no decorrer de 18 anos que os emplumados paulistas e paulistanos e seus aliados do DEM e também do PSD estão à frente do Governo e da Prefeitura de São Paulo.

O motivo da proteção se dá porque os metroviários e os ferroviários cruzaram os braços, e por causa das greves o trânsito de São Paulo, que é um caos em sua rotina diária, transformou-se em um pandemônio, porque cerca de cinco milhões de pessoas ficaram sem ter acesso aos transportes de massa sobre trilhos e tiveram de se locomover por ônibus, lotações, carros e similares, o que levou o paulistano a ter de enfrentar um engarrafamento de 202 km, o maior da história da megalópole.

“O Mau Dia Brasil”, da TV Globo, ficou muito preocupado com tal bagunça e irresponsabilidade e por isso, como sempre acontece algum problema social, criminal e administrativo em São Paulo, os âncoras do “Mau Dia Brasil”, da TV Globo, tentam nacionalizar os problemas causados pela irresponsabilidade dos tucanos e, evidentemente, pelos seus cúmplices, neste caso a TV Globo e seus jornalistas que corroboram para amenizar os malfeitos contra o sofrido povo trabalhador de São Paulo.

Contudo, considero que o povo paulista deveria, urgentemente, parar de votar em tucano neoliberal e de direita e assim dar fim ao sofrimento imposto por neoliberais que quase afundaram o Brasil quando estavam no poder e hoje efetivam uma política neoliberal em São Paulo e sua capital, que degrada o poder público e seu patrimônio, que são as empresas estatais paulistas, que foram vendidas, alienadas ou terceirizadas para privilegiar grupos privados e atender a ganância de empresários sem escrúpulos e sem compromisso com o total da sociedade do estado bandeirante.
                                

Foto: Luiz Guarnieri/AE
 
Os “âncoras” Renata Vasconcellos e Alexandre Garcia cumpriram muito bem e mais uma vez seus papéis de porta-vozes e defensores dos interesses de seus patrões e do governo do PSDB paulista. Renata Vasconcelos, como sempre, após a repórter de rua e a “âncora” Carla Vilhena, diretamente do estúdio do “Mau Dia Brasil” em São Paulo, anunciarem e mostrarem o caos paulistano, prontamente emite a seguinte frase: “Não é só em São Paulo, Carla!”. Propositalmente, a apresentadora Renata nacionaliza a crise ao tempo que a difunde pelo Brasil e com isso desvia a atenção sobre os governantes do estado e da capital que tem o mesmo nome. Renata e Alexandre pensam que enganam a quem? Só se for os eleitores do José Serra.

Se esses acontecimentos ocorressem no Rio de Janeiro ou em outra metrópole brasileira jamais se ouviria tal frase que tenta, em vão, disfarçar, dissimular, distorcer e amenizar o que até os mortos e os recém-nascidos sabem: São Paulo é um caos, a corrupção ainda não foi investigada como ocorre na esfera federal, os investimentos públicos diminuíram, a violência é sistêmica, a poluição é insuportável e o trânsito mata o paulistano de desgosto ou de raiva.

Só quem não sabe disso é a TV Globo, os políticos tucanos paulistas e os barões da imprensa do Estadão, da Folha, de O Globo e das revistas Veja e IstoÉ, além de parcela grande da população que se recusa perceber, depois de 18 anos de desgoverno do PSDB/DEM, que os governantes tucanos são os autores do retrocesso econômico e social de São Paulo, que, evidentemente, não tem mais o poder que tinha antes no que concerne à Federação.
                            
Foto: Luiz Guarnieri/AE

Para o oligopólio midiático privado o Brasil é São Paulo. Acontece que não é. Está muito longe disso, como provou o estadista gaúcho Getúlio Vargas no já longínquo, distante ano de 1930. E por que eles insistem em agir assim? Porque é em São Paulo onde estão, em maior número, as oligarquias que controlam os diferentes meios de produção, inclusive o midiático, porta-voz das elites econômicas e o setor mais reacionário do mundo empresarial.

Por isso, a dificuldade de os governos progressistas governarem sem sobressaltos graves, que levam confusão à população, que tem praticamente como canais de notícias empresas controladas por empresários que querem, historicamente, um Pais para poucos privilegiados, com apenas 30 milhões de consumidores — em vez de 200 milhões — e de preferência governado por políticos pautados por eles, exemplificados no neoliberal FHC, que vendeu o Brasil, foi ao FMI três vezes de joelhos e com o pires na mão e se recusou a investir na maior riqueza de qualquer País, que é o seu povo.

Depois temos de aturar essa gente que foi cúmplice e sócia da ditadura empresarial/militar a falar de liberdade de expressão e de imprensa no direitista Instituto Millenium, como se nada tivesse acontecido no passado. Apoiaram um golpe de estado financiado por estrangeiros — o que é grave traição à Pátria —, passaram 20 anos a mamar nas tetas do Estado militarizado, pois são patrimonialistas, e se tornaram cúmplices da censura da qual eles mesmos se tornaram “vítimas”. O general e presidente Ernesto Geisel afirmou uma vez (frase não literal): “Acabei com a censura porque percebi que os órgãos de comunicação se autocensuram”. Mais do que isso, certamente, o general sabia que os barões da imprensa eram mais reacionários do que ele próprio pensava quando assumiu (inconstitucionalmente) o poder.
    
Foto Mário Angelo/Sigmapress/Folhapress

Eu sou exemplo e vítima da censura praticada pelos empresários midiáticos e por seus jornalistas de confiança. O meu blog, o “Palavra Livre”, que era, seguramente, o mais lido pelos leitores foi extinto pelo “Jornal do Brasil” em janeiro deste ano. Censuraram-me da forma mais desrespeitosa possível, porque após dois dias do “sumiço” do blog do elenco de blogueiros que fica na capa do JB online, resolveram me dar a "oportunidade" de receber a informação, por e-mail, que o meu perfil não se adequava à nova reestruturação do jornal, que, evidentemente, nunca foi reestruturado. A diretoria do JB pediu a minha cabeça e apagaram o blog sem, no entanto, avisar-me. Realmente, o general Geisel sabia o que falava e principalmente com que tipo de gente estava a lidar.

“O Mau Dia Brasil” é uma ode à insensatez e à manipulação dos fatos e das realidades que acontecem e se apresentam para a sociedade. Deve ser muito duro para o jornalista, de acordo com suas conveniências e metas profissionais, ter de servir de veículo vivo dos interesses empresários e políticos dos barões da imprensa. Obviamente que alguns jornalistas, além de concordar com tudo isso, ainda são mais empenhados que seus patrões no que tange a atender os interesses das empresas onde trabalham. Como diz o Mino Carta, “jornalista no Brasil é o único que chama patrão de colega”. E completo: alguns jornalistas são politicamente mais reacionários que seus patrões e péssimos chefes de seus colegas de profissão. Geisel tinha razão. É isso ai.


Sintonia Fina

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