A
tragédia seria ter que recorrer novamente a José Serra, caso não
viabilize uma candidatura alternativa. Seria o fim da legenda, apoiando
um candidato rancoroso, desagregador e sob suspeita de corrupção.
Até
agora, no entanto, tenta exorcizar o fantasma Serra com a miragem Aécio
Neves. Nesse ponto, Serra está coberto de razão: faltam a Aécio vontade
política, conteúdo programático, despreendimento em relação aos
prazeres da vida.
No Senado, tem
participação nula. Vivo, Itamar Franco era a voz da oposição. Morto, o
cetro foi ocupado por Aluizio Nunes. Aécio parece boneco de ventríloquo:
FHC manda "fala Aécio", e ele fala. Depois, queda mudo de novo.
Todo
mundo sabe que a bandeira da gestão será a mais relevante para as
próximas eleições, a partir do momento em que os governos Lula e Dilma
ocuparam o espaço de centro-esquerda. Nas últimas eleições, a velha
mídia teve que recorrer aos fantasmas de Chavez e Fidel para recriar a
polarização da guerra fria. Agora, nem ressuscitando Lenin.
Aécio
tem uma boa bandeira: os programas de gestão de Minas. Mas não tem
nenhum conteúdo. Assim como Serra, não tem a menor ideia sobre o que
aconteceu em Minas no seu governo. Foram dois governadores rigorosamente
ausentes. Aécio pelo menos teve o mérito de abrir espaço para os
programas de gestão e entregar a batuta para sua Dilma Rousseff, o então
vice governador Antonio Anastasia. Serra, nem isso.
Se
quiser pensar estrategicamente, o PSDB necessita de um plano B, um
candidato que ocupe o espaço caso se realizem as profecias sobre Aécio.
Já
escrevi uma vez sobre isso: o pássaro azul da candidatura, que o PSDB
tanto persegue, está em Minas e seu nome não é Aécio: é Anastasia. Além
de ser um gestor do calibre de Dilma, Anastasia é muito articulado, está
em linha com os princípios mais modernos de gestão pública, sabe
discorrer com notável didatismo sobre os pontos relevantes em educação,
saúde, segurança.
Não há outro candidato à vista.
Sintonia Fina
Luís Nassif
Nenhum comentário:
Postar um comentário