13 de nov de 2011

A reconquista da Rocinha e o preconceito do Estadão

Pena que o Beltrame não investigue todos os "crimes organizados"

Como previsto, a reconquista do território nacional da Rocinha neste domingo foi um sucesso.

Foi a demonstração de que uma Política de Segurança é possível.

O narco-trafico não controla mais a Rocinha, como controla capítulos do território do México.

É impossível acabar com o consumo de cocaína, porque, ali mesmo, embaixo da Rocinha, em alguns dos prédios mais elegantes do Rio, e ainda mais para o Sul, provavelmente há consumidores de cocaína.

(Provavelmente, em São Paulo se consome mais cocaína do que no Rio, já que em São Paulo se consome mais tela-plana, vinho Malbec e aspirina infantil. Mas, como se sabe, no PiG (*), o Rio consome mais cocaína que São Paulo.)

Como diz o Secretário Beltrame, traficante sem território é menos traficante.

Um sucesso.

E, dessa vez, o cinegrafista da Globo não merecerá um Emmy.

O Nem foi preso antes; não pode fugir.

(Preso e conduzido como um escravo a caminho do pelourinho, apesar da súmula-vinculante do Ministro Marco Aurélio de Melo.)

Apesar do retumbante sucesso, o Estadão insiste que foi um retumbante fracasso.

Por exemplo.

“Sobram criminosos (sic) e começa a faltar território para o domínio aberto (sic) no Rio em áreas mais distantes, nas quais as UPPs são apenas (sic) promessas (sic).”

Esses bancos credores que controlam o Estadão …

O Estadão tratou da reconquista do território da Rocinha na pág. C1, com todas as tintas do preconceito.

A começar pelo título: “Invasão da Rocinha vai abalar maior empresa do crime organizado no Rio”

Preconceito 1) : não é invasão nem foi.

Preconceito 2), embutido na generalização.

A Rocinha é muito mais do que a sede da “maior empresa do crime organizado no Rio”.

“De boca de fumo rentável nos anos 1980, a favela se tornou nos últimos anos uma das grandes produtoras e vendedoras de droga.”

A “reportagem” não oferece um fato, um número que comprove quaisquer das afirmações.

Nem sobre a Rocinha nos anos 80, nem de hoje.

É um exercício ficcional, com verniz de informação.

Quem tem a contabilidade do Nem ?

Onde está o balanço da “Nem S/C Ltda”, assim como os balanços transparentes do Estadão ?

A Rocinha não é um antro de drogas !

Nem nunca foi.

Quando este ansioso blogueiro trabalhava na rua Lopes Quintas, no Jardim Botânico, no Rio, na sede da Globo, 99,99% dos funcionários da área de serviços eram nordestinos, moradores da Rocinha.

Pergunte ao Bradesco.

Vá aos portais da Rocinha, aqui e aqui, e comprove a suspeita do Estadão: “aquilo” é um antro” !

Preconceito numero 3: sobre o “crime organizado”.

O Estadão diz que a Rocinha vai abalar a “maior empresa do crime organizado do Rio”.

Este ansioso blog se permite discordar.

O “crime organizado” da Rocinha não chega nem perto, segundo a Polícia Federal, quando era Republicana, a duas inequívocas manifestações de “organização de crime”.

Na Operação Chacal, a PF Republicana achou os discos rígidos do banco Opportunity e denunciou a instituição e seus dirigentes como membros de uma facção do “crime organizado”.

A Operação Satiagraha, também do tempo em que a PF era Republicana, achou uns discos rígidos na parede secreta do dono do banco Opportunity e botou ele e a família na cadeia.

Tanto o banco Opportunity (que só é banco no nome) quanto a parede falsa ficam à beira mar no Rio.

Como a Rocinha.

E sobre eles, o Estadão, ah !… o Estadão !

A elite paulista do século XIX, que sobrevive, toda arranhada, no Estadão, parece ser da tese que “crime” só se organiza quando tem pobre, preto e …

Viva o Brasil !
Paulo Henrique Amorim


Sintonia Fina

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