22 de nov de 2011

Quem a Comissão da ½ Verdade deveria ouvir


Homero Cesar, Valmir, Thaumaturgo e Gaspari: sem eles, será 1/10 de Verdade


Sintonia Fina reproduz o Conversa Afiada

Amigo navegante que leu o artigo (excelente) do Luiz Claudio Cunha com a interessante pergunta “o torturador da Dilma vai depor ?” enviou o que considera uma lista preliminar de testemunhas.

Diz ele, imperativo:


“Dá com destaque porque isso vai pautar essa imprensa preguiçosa.


Esta é uma lista preliminar, que pode e deve ser enriquecida por outros que lembrarem de nomes decisivos.


É a contribuição do C Af à Pátria.


A maioria está viva e lúcida, portanto capaz de aguentar as emoções de um depoimento na Comissão.


Os que estiverem mortos poderão, ainda assim, colaborar com a Pátria, já que as viúvas, filhos, parentes ou amigos devem ter guardados documentos, papéis, segredos.”


Dito o que, aí vai lista preliminar da contribuição do C Af à Pátria:


1) Elio Gaspari, o que usa múltiplos chapéus http://www.conversaafiada.com.br/pig/2010/06/20/elio-gaspari-transformou-dulce-maia-em-dilma-rousseff/ e, como diz você, se tornou exímio Historialista – mistura de História com Jornalismo sem que seja um ou outro. Ele detém os arquivos que privatizou: os do Geisel, do Golbery e do Heitor Aquino. “Privatizou”, porque o Geisel, o Golbery e o Heitor construíram um arquivo quando estavam no Palácio do Planalto. Logo, os documentos são públicos e deveriam estar na Biblioteca Nacional ou no CEPEDOC. E, não, na casa do historialista. Agora, tem muita coisa lá. Que ele não publicou. Ou não quer publicar ainda. Quem disse que ele já publicou tudo o que o Heitor arquivou ? Com que chapéu ele testemunharia na ½ Verdade ?


2) Cinco militares decisivos do DOI-CODI de São Paulo no

Governo Geisel: os capitães Homero César Machado, Dalmo Lúcio Cirillo,  Benoni de Arruda Albernaz, os majores Inocêncio Fabrício de Mattos Beltrão e Carlos Alberto Brilhante Ustra, que foram seus comandantes. Ustra criou e comandou o DOI  da rua Tutóia entre 1970 e 74. Nos seus 40 meses de comando, morreram ali 40 presos e houve 502 denúncias de tortura, segundo levantamento da Arquidiocese de São Paulo, do cardeal d. Paulo Evaristo Arns.


3) Coronel Francisco Homem de Carvalho, o Carvalhinho,

Comandante da PE do Exército na Barão de Mesquita fundador do SNI com Golbery e comensal do general toda segunda-feira.


4) General de Brigada. Confúcio Danton de Paula Avelino,  chefe do CIE quando morreu em SP o operário Manoel Fiel Filho, em fevereiro

de 1975, quatro meses após a morte (também por enforcamento) do jornalista Vladimir Herzog, o que levou à exoneração do general  Ednardo D´Ávila Mello do comando do II Exército.


5) General de Brigada Reformado Valmir Fonseca Azevedo

Pereira, comandante (ou presidente) do site Ternuma (Terrorismo Nunca Mais), que reúne militares da reserva e nostálgicos da ditadura. O patrono do site é o general Garrastazu Médici.


6) Cabo Félix Freire Dias, codinome ‘Dr. Magno’ ou ‘Dr.

Magro’. O homem que esquartejou o deputado Rubens Paiva, um dos

desaparecidos do regime, na ‘Casa da Morte’ em Petrópolis, centro

clandestino de tortura do DOI-CODI carioca.


7) General Antônio Bandeira, comandante da PF e dos Exércitos

em Porto Alegre e Recife. Morreu deixando com a filha um baú de documentos, divulgado em parte pelo jornalista Amaury Ribeiro Jr. em O Globo.


8)
Sargento Marival Chaves Dias do Canto, ex-integrante do

CIE, que ouviu do cabo Félix o relato do esquartejamento de Rubens Paiva.


9) Tenente-coronel José Antônio Nogueira Belham, sucessor de

Ustra na chefia do Setor de Operações do CIE, em Brasília, e chefe do

DOI-CODI do Rio (como major, em 1971), quando Rubens Paiva passou por sua repartição, na rua Barão de Mesquita.


10) Brigadeiro João Paulo Burnier, linha dura da Aeronáutica,

que mandou prender Sérgio Macaco em 1968 quando o capitão do Para-Sar se recusou a plantar a bomba terrorista no Gasômetro do Rio.


11) Coronel aviador Pedro Correa Cabral, piloto de helicóptero

no combate à guerrilha do Araguaia. Transportou cadáveres dos guerrilheiros para a Serra das Andorinhas, a 100 km de Xambioá.


12) Major Adyr Fiuza de Castro, comandante do DOI-CODI do Rio

no governo Geisel. Era a versão carioca de Ustra, o chefe do DOI paulista.


13) Delegado Edgar Fuques, da Polícia Federal. Comandava a

seção de investigações da PF no sul, em 1978, quando houve o sequestro dos uruguaios Lilian Celiberti e Universindo Diaz. Fez um relatório concluindo que não houve sequestro.


14) Delegado Marco Aurélio Garcia, diretor do DOPS gaúcho, que

sequestrou os uruguaios.


15) Delegado Pedro Seelig, chefe da operação de prisão e

tortura dos uruguaios, maior nome da repressão no sul do país.


16) Inspetor Nilo Hervelha, do DOPS gaúcho, braço direito de

Seelig, citado pelos presos como o torturador mais violento.


17) Médico psicanalista Amílcar Lobo, atendia no DOI-CODI da

Barão de Mesquita e subia a serra encapuzado sob o codinome de ‘Dr.

Carneiro’ para remendar os torturados da ‘Casa da Morte’ em Petrópolis –  segundo depoimento da ex-presa política Inês Etienne, que sobreviveu ali 96 dias entre maio e agosto de 1971. Lobo admitiu em 1987 ter atendido no DOI carioca, com vida, o membro do PCB David Capistrano, outro ilustre desaparecido do regime, como Rubens Paiva, que Lobo também atendeu no DOI, ainda vivo, cheio de hematomas, horas antes de morrer – e desaparecer.


18) Coronel do Exército Attila Rohrsetzer, chefe da DCI (Divisão Central de Informações), que integrava todo o sistema de

inteligência no sul do país. Era um dos 20 denunciados no inquérito

policial-militar aberto e logo concluído, sem nenhum acusado, que

investigou a morte do sargento Manoel Raimundo Soares, que apareceu em 1966 manietado às costas, boiando num afluente do Guaíba, após 150 dias de prisão e tortura no DOPS gaúcho.  A Assembléia do Rio Grande do Sul abriu uma CPI para o ‘Caso das Mãos Amarradas”.


19) General Thaumaturgo Sotero Vaz, veterano do combate à

guerrilha do Araguaia, ex-comandante do CIGS (Centro de Instrução de Guerra na Selva, em Manaus) e um dos representantes ocultos do Brasil (como major) na reunião secreta convocada por Pinochet que fundou a Operação Condor em Santiago do Chile, em novembro de 1975. O outro representante do Brasil era o então coronel Flávio de Marcos, também veterano do Araguaia. Por ordem de Geisel, o Brasil estava lá como ‘observador’ e, por isso, não assinou a ata de fundação da Condor, firmada pelas outras cinco ditaduras do Cone Sul.


20) General Danilo Venturini, chefe da Casa Militar de

Figueiredo, ex-diretor da ESNI (Escola Nacional de Informações, do SNI, no Governo Geisel) e comandante do Batalhão da Guarda Presidencial na época de fundação da Condor.











A lista, por definição, é preliminar.

O amigo navegante está convidado a fazer listas adicionais.


Sintonia Fina - Conversa Afiada

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