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9 de jul. de 2012

A doce ‘ditadura’ de Hugo Chávez

Veja aqui o que o Partido da Imprensa Golpista (PIG- Partido da Imprensa Golpista) não mostra!



Por Eduardo Guimarães

Uma das maiores mentiras do nosso tempo é a de que a Venezuela “não é uma democracia” porque haveria “censura à imprensa” naquele país. Essa mentira, aliás, sugere que as eleições todas de que Chávez participou – e venceu – não teriam sido limpas.
A mentira é imensa porque é muito simples desmontá-la. Por conta disso, quando alguém nega a democracia que vige na Venezuela não explica exatamente por que o faz, pois, se dissesse, daria margem ao desmascaramento da farsa.
A mera leitura de um jornal ou a mísera assistência a um programa de televisão desmontam cabalmente a farsa sobre falta de liberdade de imprensa no país vizinho.
Para comprovar isso, este blog selecionou trecho de matéria de um jornal venezuelano que ditadura alguma toleraria. A imprensa venezuelana não apenas revela destemor ante a “ditadura” chavista, mas, também, grande confiança no sistema eleitoral venezuelano.
Em 19 de junho, por exemplo, o diário El Universal publica texto opinativo assinado por alguém chamado Roberto Giusti, que, como sói acontecer amiúde na imprensa venezuelana, insulta pesadamente o primeiro mandatário da República Bolivariana.
Abaixo, trecho do artigo “Chávez como Nixon (1960)”, que busca estabelecer algum termo de comparação entre o ex-presidente norte-americano e o presidente venezuelano.
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 (…) Chávez, por sua conta, dispõe de quase todos os meios audiovisuais e por haver quebrado, durante muito tempo, os cânones sagrados da mídia (só lhe faltava vomitar no ar), com resultados assombrosamente bons, agora a mídia o trai, o delata, o expõe negativamente (como a Nixon nos anos 1960) e quanto mais energúmeno parece, mais votos perde. [Henrique] Capriles [principal adversário de Chávez na próxima eleição presidencial], na televisão, mostra uma imagem fresca, juvenil, arrebatadora e sua mensagem, breve, concisa e poderosa (…)
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Só esse trecho de um artigo publicado no maior jornal venezuelano há menos de um mês bastaria para desmontar as mentiras sobre haver qualquer tipo de censura na Venezuela. Como chamar de “ditador” um presidente que se deixa chamar de “energúmeno” pela imprensa?
E não é só. O articulista aparenta grande confiança nas possibilidades de vitória do candidato de oposição, o que revela confiança no sistema eleitoral que os manipuladores de todas as partes dizem ser viciado. O trecho deixa claro que o articulista acredita nas chances do adversário de Chávez, e só pode haver essa chance se a eleição for limpa.
A doce “ditadura” venezuelana por certo não aprendeu direito como censurar. Um programa da Globo venezuelana chega a pôr no ar um vidente que prevê a morte de Hugo Chávez (!). E o incompetente “ditatorialismo” chavista permite…

Assista ao vídeo...






Mas que diabo de ditadura é essa?, você deve estar se perguntando. A imprensa insulta o ditador, a televisão anuncia sua morte com base nas previsões de um vigarista, os opositores desse ditador nutrem fé em eleição para depor o regime…
Este blogueiro esteve muitas vezes na Venezuela após a chegada de Chávez ao poder. Nunca vi alguém manifestar qualquer temor de criticar o governo; pelo contrário, criticar, insultar e difamar Chávez é quase um campeonato disputado pela elite e pela imprensa oposicionista.
Quer saber onde há ditadura, leitor? É no Brasil, ou melhor, na imprensa e na televisão brasileiras.
Aqui, ninguém consegue contestar na grande mídia as mentiras sobre existir uma ditadura na Venezuela porque qualquer tentativa nesse sentido é censurada. Dizem que há uma ditadura naquele país só porque, lá, o governo não apanha calado.

Sintonia Fina

2 de jul. de 2012

Mídia sente efeito de críticas e deixa empregados divergirem

Veja aqui o que o Partido da Imprensa Golpista (PIG) não mostra!



Por Eduardo Guimarães

Vai passando despercebido um fenômeno poucas vezes visto na década passada e que era raro até há pouco tempo, mas que parece estar crescendo. Colunistas e comentaristas de renome na grande mídia estão eventualmente divergindo dos patrões – ou, se preferirem, da “linha editorial” dos veículos nos quais trabalham.


Ao longo dos últimos anos uma voz se levantou contra as posições monolíticas que aprisionavam todos os colunistas e comentaristas da grande mídia, sem qualquer exceção de relevo. Paulo Moreira Leite, colunista da Época, em seu blog hospedado no portal da Globo passou a divergir abertamente da ideologia e das posições políticas dos patrões.


Recentemente, mais dois jornalistas da Globo passaram a divergir da empresa pontualmente, coisa que não faziam em questões nas quais a grande mídia “fechava questão”. Ricardo Noblat e Miriam Leitão se rebelaram, em alguma medida.


Noblat, por exemplo, chegou a reconhecer a inexistência de provas ou indícios contra o governador petista Agnelo Queiróz e a existência de fartura de provas contra o tucano Marconi Perillo no que diz respeito às relações de ambos com Carlinhos Cachoeira. Além disso, tem se posicionado claramente contra o golpe no Paraguai.


Miriam Leitão, por sua vez, apóia a Comissão da Verdade sem investigação “dos dois lados”, farsa que pretende nivelar os crimes da ditadura à resistência a ela. E também condenou o golpe no país vizinho, ainda que tenha estragado tudo comparando a situação do Paraguai à da Venezuela, onde a democracia funciona de forma impecável no que diz respeito à vontade eleitoral do povo.


Já na Folha de São Paulo, Jânio de Freitas, que era o único a divergir de verdade da linha editorial e com frequência menos pífia, vem aumentando o próprio tom em um coro de divergentes do qual, talvez, tenha sido pioneiro. Também reconheceu a farsa contra Agnelo e foi peremptório ao condenar o golpe no Paraguai, no que teve a companhia de Clóvis Rossi.


Nessa questão do golpe paraguaio, aliás, contabilizam-se as maiores divergências com os editoriais dos jornalões que se viram nos últimos anos. Folha de São Paulo, O Globo, Estadão e Veja cerraram fileiras em torno dos golpistas, mas um contingente menos pífio de seus colunistas desmontou os editoriais dos patrões nesse sentido.


O que aconteceu com esses colunistas? Por que decidiram fazer um pouco de jornalismo? Pela primeira vez, em muito tempo, vejo divergência de alguma expressão na grande mídia.


Claro que, em questões como o golpe no Paraguai ou a “culpa” forjada de Agnelo Queiróz, a posição oficial dos grandes meios é avassaladora. Os “editoriais” pró-golpe de Arnaldo Jabor no Jornal da Globo, por exemplo, esmagam os textos discretos dos colunistas supracitados, QUASE sempre publicados SÓ em seus blogs.


Todavia, nunca antes na história deste país se viu tamanha divergência no PIG…


Esse fenômeno, com certeza, é uma vitória da blogosfera e das redes sociais. Não era mais possível que esses grandes veículos não oferecessem nada a quem pensa e tem algum conhecimento de política. As opiniões de Arnaldo Jabor, Reinaldo Azevedo e outros animadores da platéia reacionária estão deixando de ser exclusividade.


Análises de melhor qualidade sobre a escandalosa deposição do presidente do Paraguai como as que vêm fazendo Clóvis Rossi, Miriam Leitão, Jânio de Freitas, Paulo Moreira Leite e Ricardo Noblat sugerem que esses jornalistas ainda nutrem aspirações quanto à própria imagem entre as pessoas de melhor nível intelectual. Mas será isso mesmo?


Já um Arnaldo Jabor, um Reinaldo Azevedo, um Augusto Nunes ou um Elio Gaspari abdicaram há muito tempo do jornalismo. Só isso explica as teses espantosas que formularam sobre um processo que jogou no lixo os votos de um presidente legitimamente eleito, com grande apoio popular em seu país e não menos apoio formal da comunidade internacional.


Nesse aspecto, chegam a ser incríveis os editoriais dos maiores jornais do país. Isso e o espaço que a Globo deu a um palhaço de circo como Arnaldo Jabor para ficar insultando os presidentes dos países com os quais o Brasil mantém intensas relações institucionais e de amizade, mas, claro, sem conseguir explicar o rito sumário que expurgou Lugo em horas.


Todavia, o fato é que não confio nessa repentina conversão desses colunistas ao bom jornalismo. Basta ver o que disse Miriam Leitão, que haveria alguma contradição entre o Mercosul suspender o Paraguai e aceitar a Venezuela como sócio pleno do organismo. Ela dá uma no cravo e outra na ferradura.


Qual foi a ruptura institucional que a Venezuela promoveu? Chávez está no poder pela vontade do povo. Todas as eleições foram auditadas pela ONU, pela OEA e por centenas de observadores internacionais. E é mentira que não se pode criticar o governo. Para comprovar, basta ir até lá e comprar um jornal ou ver tevê.


A Globovisión, entre outras tevês, continua fustigando abertamente Hugo Chávez. Seu adversário nas próximas eleições tem todo espaço na mídia e apoio financeiro de que precisa. Quem praticou ruptura institucional na Venezuela – ou tentou praticar – foi a oposição a Chávez, não ele. Acusam Chávez de manter o povo ao seu lado.


Não existe uma só notícia de constrangimento da candidatura de oposição venezuelana. Usam a recusa dessa oposição de participar das eleições, há alguns anos, para acusar de despotismo um governo que adquiriu maioria avassaladora, naquele pleito, porque seus adversários se suicidaram eleitoralmente. E por vontade própria. Daí Chávez aprovou o que quis, claro.


Ao comparar a situação paraguaia à venezuelana, portanto, Miriam Leitão mostra que há algo errado em sua conversão e de seus pares ao jornalismo. Parece que a grande imprensa sentiu as críticas de que praticamente não se via divergência em suas páginas e, assim, escalou alguns empregados para divergirem


Sintonia Fina