3 de jun de 2013

Petrobras: Não tem notícia ruim? O Globo providencia



Por Fernando Brito
Outro dia perguntei aqui qual era a crise gerencial que se alega existir na Petrobras, porque a empresa vem batendo recordes sobre recordes, em descobertas, exploração e produção do pré-sal, assim como no refino.

Hoje, O Globo dá um exemplo de como isso é feito.


Um consultor da Câmara dos Deputados, que vem torpedeando desde o início a adoção do modelo de partilha para o pré-sal ganha espaço para dizer que a União terá prejuízo com a decisão da Petrobras de avançar rapidamente na produção dos campos utilizados no contrato de cessão onerosa firmado na época da capitalização da empresa.

O argumento do Sr. Paulo Lima é de que estes campos não pagam a “participação especial” prevista nos contratos da lei de FHC que abriu o petróleo brasileiro.

É verdade. Mas só meia-verdade.

Porque os contratos de cessão onerosa não pagam participação especial?

Porque parte da participação da União já foi paga na forma de ações da empresa, no aumento se seu capital, em 2010. E mais ainda será paga, pois há um limite – cinco bilhões de barris – além do qual todo o petróleo pertencerá à União.

E as áreas do pré-sal, entre elas as de cessão onerosa, têm demonstrado que possuem reservas muito superiores às estimadas àquela época.

O argumento é de que a Petrobras está dando prioridade a estas áreas, em detrimento de outras, onde incidem as participações especiais.

Mas o que deveria fazer a Petrobras em áreas onde os estudos geológicos estão muito avançados e a produtividade tem se mostrado excepcional? Não investir?

E tem mais: 60% de tudo o que a Petrobras lucrar, vai – além dos royalties, dos impostos diretos e dos gerados em suas encomendas de equipamentos – para os cofres públicos, pela participação acionária.

E lá no final da matéria o jornal publica a razão essencial: o contrato de cessão onerosa fixa setembro de 2014 como praxo final para a fase exploratória. Ou seja, 14 meses, o que é nada em matéria de sondagens e perfurações exploratórias.

A intensificação nos trabalhos nestas áreas está prevista há quase três anos.

É curioso que esta turma, que defende a entrega às multis das áreas do pré-sal e que vive acusando a Petrobras de ser “muito política e pouco empresarial”, agora chia porque ela vai ter ganhos.

O lobo tem razões, mas não pode explicá-las.

SINTONIA FINA - @riltonsp  


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