30 de jun de 2013

Datafolha é seletiva e esconde o óbvio: Se avaliação de Dilma caiu, a da oposição virou pó.




A pesquisa Datafolha é seletiva e maliciosa ao colocar só o governo Dilma no foco da pesquisa. Por que não perguntar a avaliação do governo Alckmin? Do Congresso Nacional? Do Aécio? Do Judiciário? Da mídia? Do empresariado?


Dada as características das recentes manifestações, é esperado que a avaliação de praticamente todas as instituições estabelecidas tenham sido rebaixadas.

Se a avaliação de Dilma caiu, a da oposição deve ter virado pó.

Protestos por melhores serviços públicos não atingem só o governo federal. Aécio Neves (PSDB) foi governador de Minas durante 8 anos e fez o sucessor, portanto é o responsável por desmandos no serviço público estadual, nas unidades de saúde, nas escolas, na segurança pública, e nos ônibus urbanos que ligam cidades da região metropolitana, de alçada estadual.

O mesmo acontece com Eduardo Campos (PSB-PE), Geraldo Alckmin (PSDB-SP), Sérgio Cabral (PMDB-RJ), e praticamente todos os governadores.

Na primeira hora, a TV Globo usou da estratégia de confundir em vez de informar para jogar o custo dos estádios da Copa no colo do governo federal (que apenas viabilizou empréstimos do BNDES), mas quem licitou, contratou obras e controlou os custos foram os governadores. Assim que baixar a poeira, isso ficará muito claro para todo mundo. Como Aécio pode "faturar" para si protestos contra a Copa, se foi ele quem contratou a reforma do Mineirão? Não dá.

Quanto à corrupção nem se fala. Aécio Neves leva uma vida nababesca incompreensível com o patrimônio declarado à Justiça Eleitoral, e pesa contra si vários escândalos blindados pela imprensa amiga dele. Enquanto Dilma já teve sua vida vasculhada por adversários e pela imprensa desde antes das eleições de 2010 e nunca encontraram nada. Nem adversários tiveram como atacá-la em sua honestidade.

E quanto à imagem desgastada de políticos em geral, Dilma é uma das que mais foge ao padrão de político profissional. Já Aécio Neves, Geraldo Alckmin e Eduardo Campos são profissionais da política. Nunca exerceram outra profissão. E são herdeiros de famílias que estão na política há pelo menos três gerações. Nasceram e foram criados em gabinetes, com carros oficiais e motorista, acostumados a nepotismo, e frequentando tapetes vermelhos de palácios, longe de conviver com a realidade da vida cotidiana do cidadão brasileiro comum. São os mais desgastados.

Para complicar mais ainda a oposição, a pesquisa Datafolha mostra que a esmagadora maioria dos pesquisados apoia plebiscito para reforma política e mesmo uma constituinte exclusiva. Estas propostas foram levantadas por Dilma e estão sendo combatidas por Aécio, mostrando completa falta de sintonia do tucano com o sentimento popular.

Das grandes manifestações de rua não emergiu nenhum grande líder político. Emergiu uma agenda de insatisfações para os governos e legislativos darem respostas. 

Dilma é a liderança política que melhor se credenciou para dar respostas à esta agenda das ruas. Foi ela quem teve iniciativa de chamar prefeitos e governadores para acelerar coisas já decididas para melhorar a vida dos cidadãos. É ela quem articula destravar a reforma política e com participação popular. É ela quem está ouvindo as diversas demandas dos movimentos sociais que apareciam difusas nas manifestações.

Já a avaliação de Aécio é se ainda reúne condições de ser candidato. Está tão rebaixado, fugindo do povo e buscando acordãos de bastidores com velhas raposas políticas e midiáticas, que José Serra já o desafia abertamente na postulação de presidenciável do tucanato.


Essa pesquisa Datafolha tem característica de ser exceção. Foi feita num momento de perplexidade, boataria, guerra de informações, e até de comoção. Será preciso ver outras pesquisas mais adiante para tirar conclusões.

Se Dilma obtiver êxito em dar boas respostas a esta agenda trazida pelas ruas, e ela tem condições de fazer isso, sua avaliação deverá voltar a subir com força.

Mas não se pode ter ilusões. O jogo político mudou e a oposição, sobretudo midiática também jogam e pesado, conspirando. Vivemos tempos de guerra de informação, e todos nós que não queremos um retrocesso temos que travar esta guerra.


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