12 de abr de 2013

DILMA ENFRENTA EXÉRCITO PRÓ-JUROS ORGANIZADO


Pode ser pura coincidência, mas, ontem, os três principais jornais do País deram manchetes idênticas sobre inflação; nesta sexta, dos três jornalões, dois voltaram a se repetir, batendo na tecla dos preços às vésperas da reunião do Comitê de Política Monetária; a dúvida é: Dilma irá se curvar à pressão organizada dos meios de comunicação, que parece ter um comando central, ou recomendará cautela ao Banco Central, diante dos sinais contraditórios da economia?; em editorial, Folha e Estado pedem juro maior...
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247 - Será que existe um comando central, alinhado e coeso, definindo as manchetes dos principais jornais do País, às vésperas da reunião do Comitê de Política Monetária? Pode ser que sim, pode ser que não, mas o fato é que nunca houve tanta coincidência e tanta convergência entre os jornalões. Ontem, quinta-feira, os três principais jornais do Brasil, deram destaques idênticos ao mesmo tema, conforme abaixo:
Inflação passa teto da meta e juro pode subir - O Globo
Inflação passa teto e cresce pressão por alta de juros - Estado de S. Paulo
Inflação estoura meta, e governo prevê juro maior - Folha de S. Paulo
Nesta sexta, de novo, novas repetições:
Alta dos preços já derruba vendas em supermercados - O Globo
Alta de alimentos derruba vendas de supermercados - Folha de S. Paulo
É por essas e outras e outras que os jornais tradicionais muitas vezes são rotulados como um integrantes de um suposto PIG, Partido da Imprensa Golpista, como se fizessem parte de um partido único. E é também por isso que tantas vozes gritam por um processo de democratização dos meios de comunicação.
No tocante à inflação, o movimento coordenado dos grandes jornais pode provocar até um resultado inverso ao desejado. Como a presidente Dilma é ciosa de sua autoridade, será desagradável elevar os juros, na reunião do Copom dos dias 16 e 17, depois de uma pressão tão explícita dos jornalões. Será que ela irá se curvar aos barões da imprensa?
Não bastasse isso, os sinais são bastante contraditórios. Já se sabe que o estouro da meta em março será revertido em abril. Além disso, as previsões de analistas convergem para uma taxa de 5,70% em 2013, confortavelmente dentro da meta de 6,5%. E o ritmo de atividade econômica, já fraco, recomendaria certa cautela. Até mesmo no sistema financeiro não há consenso e um grande banco não vê razões para a alta dos juros.
No dia 17, quando forem anunciados os resultados da reunião do Copom, o Brasil saberá quem venceu a queda de braço: Dilma ou o exército coeso que a enfrenta.
E se não bastassem as manchetes, o Estadão e a Folha publicaram ainda editoriais pedindo juros maiores.

Um comentário:

Apelido disponível: Sala Fério disse...

É a máquina de gerar inflação do PIG, pra tentar sacanear a desoneração e colher frutos políticos pra oposição.