19 de abr de 2013

ABRIL, CANALHA COMO SEMPRE, USA PRÊMIO ABRIL CONTRA LULA, PT E DILMA


Edição do 38º Prêmio Abril, que celebra os maiores feitos jornalísticos das revistas da casa, foi, neste ano, marcada por surpresas; Giancarlo Civita, o novo presidente, estreou no poder, uma vez que o pai, o Roberto, se trata de um câncer no Sírio-Libanês; Eurípedes Alcântara, diretor de Veja, fez um discurso que constrangeu jornalistas; "Por que fazemos isso? Porque é o certo a fazer", perguntou e respondeu, referindo-se às polêmicas capas da revista, como a do pé no traseiro de Lula e a de Dilma pisando no tomate; cerimônia teve ainda desagravo a Policarpo Jr., principal jornalista usado por Cachoeira; o bicheiro não foi à festa; crônica...


O antes cordato Eurípedes Alcântara estava irreconhecível. Chamado pelo mestre de cerimônia Miguel Falabela, que despertava na platéia que ocupou as três fileiras centrais de poltronas da Sala São Paulo, em número insuficiente para tomar também as frisas e camarotes, perguntas do tipo ‘por que justo esse pândego hilariante foi o escolhido para apresentar um prêmio para jornalistas?’, chegava-se ao gran finale.
Pelo palco, dezenas de profissionais do Grupo Abril já haviam sido brindados com estuetas da árvore representativa da editora por suas produções jornalísticas, viabilizadas por ótimos sensos de sobreviência para escapar das centenas de cortes realizados pela empresa nos últimos anos. Increviam-se todos e cada um na história da Abril, “a mãe”, como a companhia é carinhosamente chamada internamente, na qualidade de vencedores do 38º Prêmio Abril de Jornalismo.
Uma láurea concedida pelo próprio Grupo Abril. Uma espécie de reconhecimento de nós a nós mesmos, muito cobiçado numa companhia editorial em que o eu e os meus sempre falam bem alto. Uma edição coincidente, e por isso tratada como de alta galhardia, com os 45 anos de fundação da revista Veja. A Veja carro-chefe do Grupo Abril, ora ariete, ora tanque de guerra, sempre apontada para o lado certo. Infalível, tal como, por exemplo, digamos, uma entidade de porte equivalente como o papa.
Foi mais ou menos isso, como sem erro se interpretou entre as cabeças pensantes da platéia, o que disse o diretor de redação em seu discurso de elegia à data. Mas ficou nítido, na oratória  enfática e tonitruante dele, que ali não estava o velho e bom Euripa, como carinhosamente tratavam os amigos a Alcântara, nos tempos anteriores à ascensão ao poder redacional. A quem se via e, sem dúvida, não se podia deixar de ouvir, tantos os decibéis alcançados por sua voz, era muito mais um marechal de guerra posicionado quase defronte ao presidente Giancarlo Civita. O simbolismo da estreia de Gianca, como carinhosamente o tratam os amigos, no cargo transmitido a ele pelo pai dr. Roberto, acamado no hospital Sírio-Libanês, por sua vez obtido do pai ‘seo’ Victor, era latente.
Em tom ao gosto dos militares vociferantes, Alcântara não podia deixar dúvidas, diante também do ex-banqueiro verde Fabio Barbosa, piloto do IPO que se anuncia bilionário da Abril Educação, sobre a ordem unida que proferia à tropa de elite abriliana:
 - Por que fazemos isso?, perguntou ele, agora mais mesmo como um pastor gritante.
- Por que sabemos que é o certo a fazer, respondeu ele próprio lá de cima do palco, referindo-se à série de reportagens da revista Veja, do Grupo Abril, que ganhou o 38º Prêmio Abril, concedido pelo Grupo Abril, com a cobertura do chamado histórico caso mensalão.
- Descobrimos o maior escândalo político ocorrido no Brasil dentro do governo Lula, inflamou-se ainda mais um tanto. A apuração de Veja foi fundamental para tudo fosse desvendado.
Emendou, então, um desagravo ao editor chefe da revista, Policarpo Jr.
- Ele foi grampeado, mas nada se descobriu contra ele, garantiu Alcântara, lançando uma afirmação que ecoou no mínimo polêmica para muitos mesmo ali, uma vez que as conversas reveladas entre o jornalista e o contraventor Carlinhos Cachoeira, sua fonte mais jorrante de informação privilegiada, apontaram nitidamente para troca de favores, proteção antijornalística e pacto inconfessável. Um verdadeiro parceiro de apuração de Poli, como carinhosamente o tratam o amigos, nas sombras do mal, Cachoeira foi recompensado com anos e anos de ausência nas páginas em papel bíblia de Veja – e também de presença como perseguido injustamente, inocente juramentado, empresário de respeito etc.
Não, não, o próprio Carlinhos Cachoeira não compareceu à entrega do 38º Prêmio Abril. Motivos óbvios, sabemos, mas ninguém fez menção de lamentar a falta. Cachoeira sem dúvida se viu representado entre seus amigos da Abril. Em especial, claro, Poli, que foi chamado ao palco pelo amigão Alcântara. O diretor de redação, coisa de dois anos atrás, atuou com todas as armas para que a fila da sucessão interna que tinha na primeira posição o correspondente em Nova York André Petry fosse furada por uma trinca encabeça pelo diretor da sucursal de Brasília. Três contra um. Petry chegou a afivelar as malas rumo ao NEA – como o Novo Edifício Abril carinhosamente é chamado --, mas necas de pitibiriba. Valeu a lei do nós para nós mesmos, eu e os meus. Ganharam Poli e dois colegas.
Se a Abril é uma "mãe", Alcântara é seu filho mais assemelhado. Quanto coração! Tanto que, ao final da ordem unida, quer dizer, discurso, ele chamou todos os jornalistas da revista que estavam presentes para cima do palco, de modo a ter deles a concordância explícita a suas palavras. Emoção no ar. Confraternização. Palmas, palmas.
Ficou da festa um tanto alongada, marcada pelas ausências dos mais importantes construtores da aniversariante Veja, como o fundador Mino Carta, o atual articulista José Roberto Guzzo e seu então diretor-adjunto Elio Gaspari, o recado nada sutil como o pisar no tomate. Veja faz o certo, apura o certo, publica o certo. O ex-presidente Lula, em cujo governo, para o diretor de redação, “ocorreu o maior escândalo de corrupção da história brasileira”, é a imagem do erro a ser perseguido. Assim como seu partido, o PT, os petistas em geral e, como se vê pela capa de Veja digna de um fim de feira desta semana, a presidente Dilma em particular. A guerra que está em curso desde que o patrão Roberto rompeu pessoalmente com Lula, uns oito anos atrás, foi declarada, um tanto tardiamente, como seu viu e, aí meus ouvidos, se escutou, pelo marechal Euripa. Agora é continência e marcha!
com 247


Um comentário:

Fransergio Silva disse...

Sou do PT desde que comecei e entender e gostar de politica, agora o que eu não entendo porque o PT não reage, não faz nada,fica apanhando de todos os lados.Sinto até uma nostalgia do tempo em que o PT era um leão e não esse gatinho medroso e assutado.