29 de mar de 2013

Campanha contra a imagem de Lula



A obsessão da mídia e da oposição em desconstruir a imagem do ex-presidente Lula é tão grande e irracional que chega ao ponto de criticar iniciativas que só trazem benefícios para o Brasil. É o caso da recente série de reportagens sobre as viagens dele ao exterior.
Desde 2011, Lula já visitou 30 países com o objetivo de promover os interesses do Brasil, estabelecer a cooperação em políticas públicas e ampliar as relações internacionais. Logo, a favor do Brasil.
Nada mais natural para uma pessoa que deixou a Presidência da República com altíssimo índice de popularidade e cujo governo levou o país a uma posição de prestígio mundial nunca antes alcançada. A mídia e a oposição podem não gostar disso, mas, no cenário internacional, a imagem do Brasil e a imagem do ex-presidente Lula hoje em dia se confundem – e essa imagem é positiva!
É a imagem do Brasil do crescimento econômico, da redução das desigualdades, do combate à miséria. E é a maior liderança política deste novo Brasil que o restante do mundo quer conhecer.
As visitas e palestras de Lula mundo afora aproximam os outros países do Brasil, em uma relação que, além de confirmar nossa posição de nação relevante no mundo atual, é benéfica para nossa economia e cultura.
Mas, fazendo um contorcionismo lógico, a velha mídia nega-se a reconhecer o significado dessas viagens, fixando-se mesquinhamente no fato de 13 das 30 viagens de Lula terem sido patrocinadas por empresas privadas.
A prática é corriqueira e, como a própria imprensa reconhece timidamente nos textos publicados, não tem nada de ilegal. Ex-presidentes americanos são patrocinados por grupos particulares para realizar palestras e encontrar chefes de Estado em diversos países, inclusive o Brasil, e a nossa imprensa não encontra aí nenhum problema. Só vê a legítima defesa dos interesses estratégicos dos EUA.
O também ex-presidente Fernando Henrique Cardoso fez viagens para o exterior pagas pelo banco Itaú e já deu uma palestra em solo nacional organizada pelo JP Morgan, mas nenhuma reportagem sobre o assunto apontou, na época, algum conflito de interesses.
Por que, então, o tom de denúncia ao registrar que há quem pague para ouvir o que Lula tem a dizer? Quem melhor para representar os interesses do Brasil no exterior do que aquele que é reconhecido como o maior líder na história recente do país? A quem interessa esse ar de suspeita permanente?
O que está sugerido nas reportagens, de forma subentendida, é que as empresas financiadoras das viagens esperam que Lula interceda a favor delas em seus encontros com autoridades estrangeiras, sem que haja, entretanto, qualquer evidência ou indício dessa possibilidade.
As matérias apenas registram grandes negócios feitos por empresas brasileiras nos países visitados por Lula – o que, por si só, também é vantajoso para o Brasil.
Outro personagem que não fosse Lula receberia da nossa imprensa, na mesma situação, tratamento de estadista. Mas a mídia conservadora brasileira está tão cega em sua perseguição ao nosso ex-presidente que não percebe o descrédito a que está se expondo.
A tentativa, por exemplo, de apontar algo de irregular no fato de que representantes diplomáticos nos países visitados por Lula tenham tido gastos com deslocamento e refeições para acompanhar a agenda do ex-presidente reforçam o vazio das reportagens com tom de denúncia.
Chamar essas questões de "picuinhas” seria um elogio. Há alguma dúvida de que, por exemplo, a viagem de Lula à África do Sul para um encontro com Nelson Mandela - reunião que acabou não ocorrendo, devido a problemas de saúde do líder sul-africano - era de interesse das relações internacionais brasileiras? Nossa diplomacia deveria ignorar o encontro, já que, afinal, Lula e Mandela são “apenas” ex-chefes de Estado? É óbvio que não.
Como é óbvio que o serviço diplomático de país nenhum ignoraria o encontro de um ex-presidente seu com um líder da estatura de Nelson Mandela.
Está cada vez mais evidente que o interesse de quem tece tais críticas infundadas é tentar afastar Lula da vida política nacional, como se um ex-presidente devesse recolher-se após seu mandato. Ora, e a experiência acumulada? E a contribuição a dar ao país, que tanto precisa de esforços para melhorar muito mais?
Em suma, o falso escândalo, além de atuar contra os interesses nacionais, revela a miopia de quem poderia contribuir com o debate de forma crítica, sem dúvida, mas com responsabilidade e consequência.
José Dirceu

SINTONIA FINA
 via Com Texto Livre

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