27 de fev de 2013

Reação da economia dificulta ataques da oposição a Dilma


Números macro e setoriais apontam para mais dinheiro no caixa do governo e retomada do crescimento da indústria e do comércio; crescem licenciamentos de veículos, comercialização de cimento e vendas de máquinas e equipamentos; entre arrecadação e despesas, governo teve superávit de R$ 7,60 bilhões no mês passado; recorde histórico; "É um absurdo dizer que não mantemos todos os nossos compromissos com os pilares da sustentabilidade", disse Dilma ao empresários no ressuscitar do Conselhão, na quarta-feira 27...

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 Não será tão fácil como previam nove entre dez analistas com espaço na mídia tradicional atacar o governo pela via da economia. As apostas na desaceleração da atividade estão sendo superadas pela exibição de resultados que vão indicando robustez para a conjuntura de 2013. Até mesmo as projeções do PIB feitas por agentes do mercado já convergem para uma elevação acima dos 3% até dezembro, com redução da taxa de inflação inicialmente prevista.

 "É um absurdo dizer que não mantemos todos os nossos compromissos com os pilares da sustentabilidade", disse a presidente Dilma Rousseff, nesta quarta-feira 27, na retomada do chamado Conselhão, o plenário de empresários criado no governo Lula que havia sido deixado de lado na atual administração. "Mantemos a inflação sobre controle, e achamos que a inflação é um valor na medida em que ela garante não só os ganhos de salário, mas garante também a capacidade de previsão do governo e dos empresários e os ganhos dos empresários e dos trabalhadores", completou ela.

Na mesma reunião, o ministro interino da Fazenda, Nelson Barbosa, afirmou que os atuais indicadores de janeiro confirmam a perspectiva de recuperação da economia brasileira. Entre eles, citou o aumento da produção e do licenciamento de veículos, da comercialização de cimento e da consulta para vendas no varejo.

"Todos concordam que teremos mais crescimento, menos inflação, baixa taxa de desemprego e continuação da expansão da massa salarial", disse Nelson Barbosa. De acordo com os dados apresentados, a taxa de desocupação nos últimos dez anos caiu de aproximadamente 11% para em torno de 5,5%. A queda do desemprego veio acompanhada do crescimento da massa salarial, que teve aumento médio de 3,5%.

Num setor fundamental para a leitura do crescimento ou da economia, a Associação dos Fabricantes de Máquinas e Equipamentos reportou também nesta quarta 27 que o faturamento bruto do setor encerrou janeiro com um dos melhores resultados para o período desde 2009.  Segundo a Abimaq, a carteira de pedidos da indústria de máquinas e equipamentos cresceu 7 por cento em janeiro, enquanto o faturamento bruto avançou ligeiros 0,2 por cento na comparação com o mesmo período de 2012, para 5,79 bilhões de reais. 

O consumo aparente, que inclui venda de máquinas nacionais e importadas no mercado interno, avançou 16,3 por cento sobre janeiro de 2012 e 6,7 por cento sobre dezembro, o que "indica que há demanda neste início de ano", disse a entidade. A expectativa da Abimaq para 2013 é de crescimento de 5 a 7 por cento no faturamento bruto do setor, após uma queda de 3 por cento no ano passado, para 80 bilhões de reais.

O Banco Central, igualmente na quarta 27, anunciou um superávit primário recorde de R$ 30 bi, 251 bilhões em janeiro, alimentado pela forte arrecadação no período. Segundo informou a autoridade econômica, o resultado veio da economia fiscal de 26,088 bilhões de reais do governo central, diante da arrecadação também recorde vista no período, de R$ 116 bilhões. O superávit cobriu com folga a despesa com juros no mês, de 22,649 bilhões de reais. Com isso, o setor público consolidado registrou superávit nominal --despesa menos receita, incluindo pagamento de juros-- de 7,602 bilhões de reais no mês passado.

DÍVIDA EM QUEDA

A relação entre dívida pública e Produto Interno Bruto (PIB) fechou janeiro em 35,2 por cento e, para fevereiro, o BC estima estabilidade, informa a Agência Reuters. Em dezembro, a variável havia ficado em 35,1 por cento e, no final de 2011, em 36,4 por cento.

Apesar de acreditar que o governo não vai conseguir cumprir a meta de superávit primário neste ano, que equivale a cerca de 3,1 por cento do PIB, o economista-chefe do Goldman Sachs, Alberto Ramos, apontou à Reuters que a relação dívida/PIB vai continuar com trajetória descendente.

"O superávit menor não deve, contudo, comprometer a trajetória de queda moderada da relação dívida líquida/PIB", escreveu ele em nota, acrescentando que, para 2013, o primário deve ficar entre 2 e 2,5 por cento do PIB.
No acumulado em 12 meses até janeiro, o superávit alcançou 109,2 bilhões de reais, equivalente a 2,46 por cento do PIB.

Sintonia Fina

 

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