23 de dez de 2012

CIVITA FESTEJA CONDENAÇÕES E ATACA ECONOMIA DE DILMA

Veja aqui o que o Partido da Imprensa Golpista (PIG) não mostra!


Na sua "Carta do Editor" de fim de ano, o empresário Roberto Civita, dono da Abril, que publica Veja, reconhece que a imprensa assumiu o papel da oposição e ataca a má gestão do governo federal; grupo Abril, comandado por Fábio Barbosa, enfrenta dificuldades e demitiu 150 profissionais no início de dezembro


Como faz tradicionalmente na última edição de Veja a cada ano, o empresário Roberto Civita, dono do grupo Abril, publicou sua Carta do Editor, em que destaca os avanços de 2012 e traça cenários para 2013.
Desta vez, o julgamento da Ação Penal 470 foi o destaque de sua manifestação aos leitores. "Nada poderia ser mais auspicioso para a democracia do que a reafirmação solene e enfática da tese da igualdade de todos perante a lei", disse ele. "Essa conquista reverte cinco séculos em que praticamente foi praxe condenar os acusados do povo e isentá-los quando ricos e poderosos".
Civita falou ainda sobre o rótulo de imprensa "conspiradora" atribuído a Veja pelo PT e condenou as propostas de controle social da mídia. Ao comentar o tema, reconheceu, no entanto, que a fragilidade da oposição política aos governos Lula e Dilma transferiu para veículos de comunicação um papel inédito. "Ainda no que diz respeito à imprensa, é preciso notar que a ausência de uma oposição política atuante e articulada vem colocando os veículos de informação independentes na curiosa posição de serem praticamente os únicos fiscalizadores e críticos das ações do governo". Para os adversários da Abril, Veja é expoente máximo do chamado "PIG", o Partido da Imprensa Golpista.
A edição de fim de ano de Veja também revela uma forte dependência de anunciantes do setor público, em várias esferas. Há especiais da Petrobras, da Sabesp, do governo de Goiás, da prefeitura de São Paulo, além de anúncios de instituições como a Caixa Econômica Federal e de programas do governo federal pelo desarmamento e pela paz no trânsito. Administrada por Fábio Barbosa, ex-presidente do Santander e da Febraban, a Abril não vive exatamente seu melhor momento. No início de dezembro, a empresa demitiu 150 funcionários em várias divisões da editora.
Na Carta ao Editor, Civita também ataca a condução da política econômica. "O crescimento voltou a ser pífio e a inflação, uma ameaça real (…) O governo continua tratando as questões caso a caso, cego aos nexos lógicos que as unem. Isso resulta na adoção de medidas fragmentárias, específicas, descoordenadas, arbitrárias e frequentemente injustas com os não favorecidos por elas". Ele afirma ainda o governo é "lento, caro e esbanjador".
O curioso é que em 2001, quando a economia brasileira não crescia, o desemprego era duas vezes maior, e o Brasil estava prestes a viver um apagão, Civita era bem mais condescendente. Leia a carta do fim de 2000 e início de 2001, que, curiosamente, tem quase o mesmo título que a atual:
Muitos avanços.
E mais ainda por fazer
"Oxalá a insistência crescente de dezenas
de milhões de brasileiros cada vez mais
conscientes sirva para dar novo ímpeto
ao muito que precisamos fazer"
Relendo o que venho escrevendo neste espaço na primeira edição de VEJA de cada ano, fico ao mesmo tempo animado e aflito.
Animado, porque o Brasil vem mudando para melhor muito mais do que se percebe no dia-a-dia. Em apenas um punhado de anos, já consideramos absolutamente normal uma inflação anual de apenas um dígito, determinamos que nossos governos (em todos os níveis) não podem gastar mais do que arrecadam, chegamos ao consenso de que a educação é – de fato – a prioridade absoluta do país, verificamos que a privatização funciona muito melhor do que a estatização, e até concordamos que os governantes que elegemos precisam não apenas ser honestos, mas também competentes!
Ainda do lado positivo da balança, o Brasil voltou a crescer, o desemprego está diminuindo, nossa credibilidade internacional vem aumentando, começa (finalmente!) a aparecer uma consciência ecológica nacional e – talvez melhor ainda – a sociedade civil está cada vez mais empenhada em organizar núcleos e ações de solidariedade para ajudar os milhões de marginalizados e excluídos.
Parando um momento para refletir, isso tudo significa um extraordinário avanço – num curtíssimo prazo, do ponto de vista histórico – na direção de um país mais estável, mais produtivo, mais justo e muito mais sintonizado com os ventos de mudança que estão varrendo o planeta.
Por outro lado (que sempre existe), minha aflição vem de uma enorme frustração diante das muitas coisas que falta fazer.
Para início de conversa, sinto que falta a indispensável pressão da urgência. Precisamos nos convencer – especialmente em Brasília – de que não dá mais para adiar as reformas essenciais que vêm sendo cozinhadas em água morna há seis anos: a revisão completa do nosso emaranhado, massacrante e ineficiente sistema tributário, a reforma política que todos consideram fundamental mas que nunca se faz, a modernização da nossa anacrônica e prejudicial legislação trabalhista, a eliminação dos gritantes déficits, desequilíbrios e absurdos do sistema previdenciário e – não menos importante – a reformulação do nosso arcaico, injusto e ineficaz sistema judiciário.
Por que tanta pressa? Antes de mais nada, porque temos o dever de acelerar a redução do terrível desequilíbrio entre o Brasil desenvolvido e o Brasil desesperado. E isso exige não apenas a reforma do Estado e maciços esforços na frente educacional, mas também empenho, energia e uma obsessiva persistência.
A urgência também decorre do fato de que seremos cerca de 200 milhões – 30 milhões a mais do que hoje! – dentro de apenas dez anos. Como criar escolas, hospitais, serviços públicos básicos e empregos para todos? Isso sem falar da necessidade de acompanharmos as revolucionárias (e irreversíveis) mudanças trazidas pela globalização: hoje, o Brasil representa menos de 1% de todo o comércio internacional. Se pretendemos continuar atraindo "capitais pacientes" em grande escala e buscando a competitividade em termos mundiais, precisamos eliminar o "custo Brasil", remover os ridículos obstáculos à criação de empregos, repensar toda a nossa estratégia turística (talvez a maior oportunidade ao nosso alcance a curto prazo) e passar a desenvolver, estimular e promover melhor o nosso extraordinário potencial de exportação.
Ou seja, temos progredido bastante, mas não chegamos nem perto do suficiente. Oxalá a insistência crescente de dezenas de milhões de brasileiros cada vez mais conscientes sirva para dar novo ímpeto ao muito que precisamos fazer.

Sintonia Fina
- com 247

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