29 de nov de 2012

PARA SE SAFAR, CYONIL USA O FIGURINO DE JEFFERSON

Veja aqui o que o Partido da Imprensa Golpista (PIG) não mostra!

O ex-presidente do PTB recebeu R$ 4 milhões do valerioduto e queria R$ 20 milhões; quando foi pressionado, implodiu o esquema e acusou José Dirceu; Cyonil Borges recebeu R$ 100 mil dos R$ 300 mil combinados e repetiu a fórmula; segundo o Ministério Público ele é um "corrupto"; em resposta, Cyonil afirma que a procuradora está "desestimulando as pessoas de bem a denunciar"

Roberto Jefferson fez escola. E seu método de gestão de crises fez escola. Regra número 1: delatar. Regra número 2: encontrar uma saída virtuosa para a própria participação no crime. Regra número 3: colocar a culpa em José Dirceu. E quem segue à risca o figurino é o auditor Cyonil Borges, do Tribunal de Contas da União, que fez as denúncias que deram origem à Operação Porto Seguro.
Segundo a história narrada pela Polícia Federal, Cyonil Borges teria se deixado deliberadamente corromper para depois entregar todo o esquema à Polícia Federal. A história contada pela procuradora Suzana Fairbanks, no entanto, é diferente. "Ele é um corrupto que sofreu um golpe, porque recebeu um calote de pagamento, não pagaram tudo e ele resolveu denunciar o esquema".
Qualquer semelhança com Roberto Jefferson não é mera coincidência. O ex-presidente do PTB, que recebeu R$ 4 milhões do valerioduto num acordo eleitoral de 2003, cobrava o cumprimento da promessa do pagamento de R$ 20 milhões. Como isso não ocorreu e ele também passou a ser alvo de diversas reportagens na imprensa, decidiu, em 2005, implodir o esquema, acrescentando alguns toques de ficção ao enredo.
Ontem, Jefferson foi perdoado pelo Supremo Tribunal Federal, teve sua pena reduzida e não irá cumpri-la em regime fechado. Sobre os R$ 4 milhões, ninguém mais fala, ninguém mais viu. Hoje, Eliane Cantanhêde pede, na Folha, que surjam novos Jefferson.
O primeiro está aí. É Cyonil Borges. Recebeu uma propina e, segunda a promotora que conduziu o caso, levou um calote do valor pendente e denunciou o esquema. Além disso, tal qual Roberto Jefferson, colocou a culpa em José Dirceu.
O Estado de S. Paulo, no entanto, conta um detalhe saboroso da história, em reportagem de Débora Bergamasco. Leia:
Entre 2009 e 2010, estranhando o comportamento do marido (Cyonil), Vanessa vasculhou a casa em busca de algum indício de que Cyonil a traía. E encontrou um envelope com R$ 50 mil. Ela disse ter indagado o marido sobre o dinheiro e teve como resposta que se tratava de recebimentos por cursos que ele havia dado.
Vanessa contou à PF que pensou que o marido daria o dinheiro para alguma amante e em oito meses gastou, escondido, R$ 45 mil. Cyonil ficou furioso e ao receber a segunda parcela da propina sustentou para a mulher que a origem do dinheiro era o curso. O casal gastou todo o montante. Segundo ela, após a denúncia, Cyonil fez um empréstimo de R$ 100 mil para devolver à Justiça.
Em entrevista à Folha, Cyonil defende seu comportamento. Diz que não é "santo", mas também "não é corrupto", ao contrário do que diz a promotora Suzana Fairbanks.
Confira trechos:
Folha - Uma procuradora disse que o sr. é um corrupto que não recebeu o combinado.
Cyonil Borges - Respeito a procuradora, mas ela está desestimulando as pessoas de bem a denunciar.
Mas o sr. recebeu dinheiro? O inquérito diz que deixaram R$ 50 mil na sua portaria e o sr. recebeu mais R$ 50 mil dentro de um táxi. Foi assim?
Não aceitei o dinheiro. Há e-mails que mostram que ele liga em casa dizendo que queria me presentear. Eu disse: "Esquece". Fiquei angustiado. Quem não ficaria com os nomes que Paulo citava?
O sr. ouviu o nome do ex-ministro José Dirceu?
O nome do ex-ministro, pelo que tudo indica, foi usado pelo Paulo. O Paulo falou em dois momentos o nome do ex-ministro José Dirceu. Num momento, ele disse que o processo no TCU [sobre a Tecondi, empresa de contêineres] era de interesse do Zé Dirceu.
Paulo citava outros nomes?
Um nome que ele citava, indevidamente, foi o do ministro José Múcio, do TCU. Mas o ministro recusou o processo, alegando foro íntimo. Isso mostra a idoneidade do Múcio. Como ele não conseguiu no TCU, foi para a AGU.
O sr. disse que não recebeu dinheiro, mas os pacotes ficaram na sua casa.
Quem pegou o pacote na portaria foi um rapaz do lava-jato. O Paulo interfonou, às 8h da manhã de um sábado: "Tô aqui com a família. Posso subir?" "Não, não pode".
Quando foi isso?
Em abril de 2010, mais ou menos. Desci do meu apartamento com roupa para correr e o porteiro disse: "Deixaram aqui...". Pego o carro, saio. Peço para o rapaz do lava-jato lavar meu carro e pegar o pacote. Não toquei no dinheiro.
Por que não tocou?
Não sou bandido. Isso poderia caracterizar crime de corrupção passiva.
Você ficou incomodado de ter R$ 100 mil em casa?
Não tinha incômodo. Daí a minha mulher descobre. Ela ficou chateada e pensou outras coisas. Queria depositar. Falei: "Não, isso é dinheiro de cursinho preparatório".
Tipo caixa dois?
Eu não sou santo. Tenho meus pecados, mas não sou corrupto. Alguns cursinhos pagam em dinheiro, por fora.
Algumas pessoas o descrevem como corrupto arrependido.
Para se arrepender, você tem de aceitar. Eu nunca aceitei nada. Eu posso ter o pecado de, num primeiro momento, ter deixado o cara [Paulo] se aproximar. Quando ele passou o dinheiro, eu falei: "Você tá retardado? O que você bebeu, cara?" Ele: "Mas esse dinheiro é particular". Eu falei: "Brother, isso é corrupção". Ele: "Então eu compro isso aqui [R$ 100 mil] em seus livros". Eu falei: "Não tenho livro para isso".

Sintonia Fina
-com 247

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