22 de fev de 2012

Seis motivos para a renúncia de Ricardo Teixeira

Veja aqui o que o Partido da Imprensa Golpista (PIG) não mostra!

O presidente da CBF está num cai não cai, num renuncia não renuncia. Mas por que só agora ele está a perigo, já que se mantém há 23 anos no poder? Quais as circunstâncias que o colocaram na berlinda, ou, usando um termo mais apropriado, na marca do pênalti?
 
O presidente da CBF está num cai não cai, num renuncia não renuncia.
Mas por que só agora ele está a perigo, já que se mantém há 23 anos no poder? Quais as circunstâncias que o colocaram na berlinda, ou, usando um termo mais apropriado, na marca do pênalti?
 
Creio que na resposta pode ser dividida em seis partes:
 
Preservar a filha: Começou-se dizendo que Ricardo Teixeira iria renunciar porque sua pequena filha começava a escutar na escola boatos poucos elogiosos sobre o pai. Era uma tese simpática, que dava a Teixeira uma dimensão humana interessante. Mas nos últimos dias descobriu-se que não era nada disso. É que na conta da filha foram depositados R$ 3,8 milhões por Sandro Rosell, ex-presidente da Nike e sócio da Alianto. Ou foi um presente de aniversário muito generoso ou Teixeira usou a própria filha como laranja. Ou seja, não há a intenção de preservar a imagem perante a filha, mas afastá-la de uma investigação.
 
Alianto: Reportagens da Folha de S.Paulo mostraram que há uma ligação entre a Alianto e Teixeira. A Alianto foi uma empresa criada dias antes do amistoso entre Brasil e Portugal para promover o mesmo. E por um precinho camarada de 9 milhões. Com denúncias de superfaturamento, é claro. Até agora Teixeira dizia que não havia ligação nenhuma entre ele e a Alianto, mas a desculpa caiu por terra nos últimos dias.
 
Fome: Teixeira está há 23 anos no poder. Seus aliados cansaram de receber migalhas e querem uma fatia maior do bolo. Daí estarem articulando rapidamente a substituição do atual presidente. Mas creio que esta oposição não é algo preocupante para Teixeira. Por um punhado de dólares, eles ficam mais mansos. As três questões abaixo são bem mais importantes.
 
Aldo não é Orlando nem Agnelo: Os dois ministros dos esportes anteriores a Aldo Rebelo foram decepcionantes. Muita festa, pouca eficiência. Para manter a pasta, o PC do B teve que convocar seu principal nome, Aldo Rebelo. Ele é muito mais sério que seus antecessores e escreveu um livro sobre a CPI da Nike que acabou censurado pela justiça a pedido de Teixeira. Por outro lado, Aldo Rebelo recebeu doações da Ambev (via Fratelli Vita Bebidas) e do Itaú, patrocinadores da seleção. Para mostrar que não faz parte da bancada da bola, terá que ser duro com Teixeira.
 
Dilma não é Lula: Lula era conciliador e com sua bonomia não atritava com ninguém. Dê um google imagens com o nome de Lula e Ricardo Teixeira que você verá várias fotos dos dois apertando as mãos, em conversas animadas, etc... Mas dê um google imagens com o nome da presidente e de Teixeira e você não verá os dois em troca de confidências. Na melhor das hipóteses, há um Pelé entre eles. Dilma já mostrou várias vezes, alguns ex-ministros que o digam, que não atua como salva-vidas. Não vai pedir a cabeça de Teixeira porque a CBF é uma entidade privada. Mas não fará a menor força para ajudá-lo.
 
ISL: Por fim, há o escândalo da ISL, que me parece ser o motivo mais forte. Blatter, presidente da Fifa, era amigo de Teixeira até este ter sonhos de substituí-lo. Agora são inimigos e, também por conta disso, Blatter vai abrir o escândalo da ISL. A Polícia Federal brasileira já está investigando a Sanud, empresa de Teixeira que teria recebido propina da ISL. Com a abertura das informações do processo suíço, o presidente da CBF pode ter muitos problemas. Muitos. Não é à toa que Teixeira já vendeu muitos de seus bens por aqui, fechou empresas e abriu uma em Miami. São atitudes de alguém que sabe que está em perigo.
 
A ditadura militar brasileira durou 21 anos. O jejum de títulos corintiano durou 22. Teixeira está no poder há 23. Algumas tristezas duram muito tempo, mas um dia acabam.
 
 
Sintonia Fina
-Com Texto Livre


José Roberto Torero é formado em Letras e Jornalismo pela USP, publicou 24 livros, entre eles O Chalaça (Prêmio Jabuti e Livro do ano em 1995), Pequenos Amores (Prêmio Jabuti 2004) e, mais recentemente, O Evangelho de Barrabás. É colunista de futebol na Folha de S.Paulo desde 1998. Escreveu também para o Jornal da Tarde e para a revista Placar. Dirigiu alguns curtas-metragens e o longa Como fazer um filme de amor. É roteirista de cinema e tevê, onde por oito anos escreveu o Retrato Falado.

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