25 de fev de 2012

FIQUEI MUITO FELIZ AO VER OS FARDADOS SUBMETIDOS À AUTORIDADE PRESIDENCIAL

Veja aqui o que o Partido da Imprensa Golpista (PIG) não mostra!
 


Num dos espaços virtuais em que se discutiu meu artigo Dilma paga pra ver e faz Clubes Militares engolirem blefe, um comentarista assim resumiu o episódio da provocação ultradireitista e a firme resposta da presidente Dilma Rousseff: "os militares disseram o que queriam, mesmo proibidos para tanto, e a presidente só lhes passou um pito. Muito bonitinho, entre mortos e feridos salvaram-se todos".  

Como não foi atitude isolada --muita gente na esquerda deixou de reconhecer a importância de não termos desta vez engolido o sapo, mas sim o enfiado na goela dos inimigos--, resolvi compartilhar com vocês o desabafo que postei no CMI:

Assim como a Roselyne do filme, nossa Dilma domou os leões...
Não se deve desmerecer nem minimizar o fato de a Dilma haver tido a coragem política de colocar os militares provocadores no seu devido lugar.

Foi exatamente o que o Lula deixou de fazer em 2007, quando o Alto Comando do Exército lançou uma nota oficial que presidente nenhum poderia aceitar. Quem quiser recordar o episódio, pode acessar aqui.

A única atitude aceitável, naquela circunstância, era a exoneração imediata dos signatários.

Para não ficarmos em exemplos da esquerda, até o ditador Geisel agiu assim quando desobedecido pelo comandante do II Exército e, adiante, quando desafiado pelo ministro do Exército. Nos dois episódios cortou o mal pela raiz e, com isto, garantiu o prosseguimento do seu projeto de abertura política.

...cujos rugidos, desta vez, viraram miados.
O Governo Lula medrou e, ao negar apoio à proposta de revogação da anistia de 1979 (defendida pelo Tarso Genro e pelo Paulo Vannuchi), selou o destino da luta pela punição dos torturadores: ela verdadeiramente acabou naquele início de setembro, há quatro anos e meio. Tudo que veio depois foram iniciativas antecipadamente condenadas ao fracasso.

Então, depois de tantos recuos, finalmente temos uma presidente sem medo de  bicho papão. Ela pagou pra ver e todos nós pudemos constatar que era blefe.

Em 2007 eu também achava que era blefe. Nada indicava que o Alto Comando tivesse o aval da tropa para alguma aventura institucional; e as mãos que movimentam os cordéis dos golpes no Brasil (o grande capital e os EUA) nem de longe estavam insatisfeitas com o Lula, pois seus interesses vinham sendo escrupulosamente contemplados. Para que mudar?

No entanto, daquela vez o Lula não pagou pra ver, e deu no que deu. Estamos até hoje morrendo de inveja dos vizinhos que ousaram botar os  gorilas  na jaula.

Pouco importando que a Dilma não seja do meu partido, desta vez eu fiquei muito feliz ao ver os fardados submetidos à autoridade presidencial.

Isto deveria ser comemorado por toda a esquerda, sem sectarismo.

Como, sem sectarismo, toda a esquerda deveria ter comemorado, p. ex., a vitória no Caso Battisti e a instituição do Dia dos Mortos e Desaparecidos Políticos em SP.

Já que conquistamos poucas vitórias, deveríamos pelo menos valorizar as que obtemos.
Sintonia Fina
- Náufrago da Utopia

Um comentário:

Adroaldo Bauer disse...

O RDE, sempre arguido para conformar a tropa, deve ser obedecido pelo comando também. Nós o lemos por curiosidade jornalística. Eles, os de farda, lhe devem obediência disciplinar. Não a querem, se exonerem e venha pra planície terçar argumentos de mãos desarmadas. Gesto de autoridade presidencial, a quem cabe, finalmente, o comando das Forças Armadas, que apenas são organismos de serviço público pagas pelo povo. Parabéns à presidente Dilma.