17 de jan de 2012

Nova classe média ganha mais com novo mínimo

No Nordeste, reajuste de 14,13%, válido desde o dia 1º de janeiro, vai injetar R$ 22,5 bi na economia da região


O reajuste de 14,13% no salário mínimo, em vigor desde de 1º de janeiro, vai injetar R$ 22,52 bilhões na economia do Nordeste em 2012. Boa parte desse dinheiro (R$ 15,94 bilhões) ficará nas mãos da nova classe média, que não para de crescer na região. No país, serão R$ 63,98 bilhões a mais circulando, R$ 48,3 bilhões (75,5%) no bolso da nova classe média, calcula o instituto de pesquisa Data Popular.

O salário mínimo subiu de R$ 545 para R$ 622 - aumento real de 7,4%, descontada a inflação. Por mês, são R$ 77 a mais que fazem toda a diferença para 66 milhões de brasileiros. Renato Meirelles, sócio-diretor do Data Popular, aposta que o trabalhador vai às compras. O dinheiro extra deverá ser aplicado na aquisição de eletroeletrônicos, em reparos necessários em casa ou mesmo em itens pessoais, como tênis ou roupas. "Esse incremento de renda servirá para que a economia ganhe um impulso nesse começo de ano. Após efetuar o pagamento de dívidas com parte do 13º salário no fim de 2011, agora acreditamos que a maior parte desse dinheiro será destinado às compras."


A partir do cruzamento de dados dos ministérios do Planejamento, da Previdência e do Desenvolvimento Social e do Censo 2010, o Data Popular prevê que, de cada R$ 100 que serão acrescidos ao salário mínimo neste ano, R$ 75,50 irão para o bolso de brasileiros pertencentes à nova classe C. São R$ 3,71 bilhões a mais por mês (incluindo o 13º salário) apenas para esse grupo econômico.


Para se ter uma ideia da magnitude desse incremento, basta dizer que esse valor supera, por ano, o Produto Interno Bruto (PIB) de um país como Bolívia ou Paraguai. As classes D e E, chamadas de baixa renda, também serão beneficiadas, movimentando R$ 12,4 bilhões a mais na economia. Em 2011, esse foi o montante pago pelo governo federal aos beneficiários do programa Bolsa Família.


"As classes D e E devem receber, neste ano, o equivalente a todo o montante do Bolsa Família que foi pago em 2011. A nossa perspectiva é que grande parte da classe D seja classe C já em 2014, enquanto a C estará a um passo da sua extinção", prevê o sócio-diretor do Data Popular.


O instituto considera classe E quem ganha mensalmente até R$ 79 (ou R$ 273 de renda domiciliar média mensal). Classe D é quem ganha de R$ 79 a R$ 327 (ou R$ 952 de renda domiciliar média). A classe C, chamada de nova classe média, recebe entre R$ 327 e R$ 1.410 (R$ 2.341 de renda domiciliar). Quem é classe B se situa entre R$ 1.410 e R$ 2.934 de renda per capita (R$ 6.275 de renda domiciliar). Finalmente, a classe A recebe acima de R$ 2.934 per capita (R$ 14.561 de renda domiciliar).


O Data Popular projeta, a partir de dados do IBGE, que a classe C, que era 42,4% da população em 2004 e terminou 2011 com participação de 53,9%, alcançará 58,3% em 2014.


Aumento do mínimo


66 milhões de brasileiros beneficiados


R$ 63,98 bilhões a mais na economia em 2012


R$ 23,28 bilhões no Sudeste (36,5%)


R$ 22,52 bilhões no Nordeste (35,2%)


R$ 8,50 bilhões no Sul (13,3%)


R$ 5,04 bilhões no Norte (7,9%)


R$ 4,60 bilhões no Centro-Oeste (7,2%)


Dos R$ 63,98 bilhões, a nova classe média vai receber R$ 48,30 bilhões


R$ 18,40 bilhões no Sudeste (38,1%)


R$ 15,94 bilhões no Nordeste (33,0%)


R$ 6,61 bilhões no Sul (13,7%)


R$ 3,71 bilhões no Norte (7,7%)


R$ 3,62 bilhões no Centro Oeste (7,5%)


Fonte: Data Popular 



Sintonia Fina

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