30 de dez de 2011

Denúncia letal




No Brasil, este observador detectou sintomas profundos de uma imprensa que renunciou de vez a missão de ser espelho da sociedade:

 
– Potencializou pequenos escândalos em megaescândalos, resultando na demissão de seis ministros do governo Dilma Rousseff;

– Criou escândalos para todos os gostos, como se esses surgissem em pencas, mas não conseguiu seu tento maior: derrubar quem, por direito, poderia nomear e demitir ministros: a presidenta da República. E, bem ao contrário, e a contragosto, se viu impelida a divulgar os mais elevados índices de aprovação de um presidente ao fim de seu primeiro ano de governo. A verdade é que a aprovação de Dilma superou, em muito, a excelente avaliação de seu antecessor Lula da Silva;

– Deixou de divulgar ou minimizou ao máximo todos os escândalos de corrupção existentes no governo do estado de São Paulo, com uma dúzia de CPIs propostas na Assembleia Legislativa paulista sendo sumariamente barradas, arquivadas, abortadas;

– Tirou proveito, de forma mesquinha, quando não extremamente grosseira e desrespeitosa, do anúncio do ex-presidente Lula da Silva de que se submeteria a tratamento de um câncer na laringe; e até o apoio subliminar para que Lula se tratasse no SUS foi amplamente repercutido por colunistas das grandes revistas semanais;

– Minimizou a boa fase da economia brasileira se comparada à economia mundial, sempre optando (ou seria torcendo?) para que o País desandasse com decisões econômicas erráticas que trouxessem à tona o velho flagelo da inflação e os habituais índices de desemprego em alta, tão comuns nos anos 1980 e 1990;

– Se fez de morta ante a mais letal denúncia de maracutaias jamais publicada no Brasil, envolvendo personagens por ela sempre blindados, como o ex-governador paulista José Serra, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e os seus bem-sucedidos (empresarialmente) herdeiros, Verônica Serra e Paulo Henrique Cardoso; e tudo isso publicado na forma de livro – A Privataria Tucana – contendo dezenas de documentos dos malfeitos com o dinheiro público, escrito pelo jornalista, ganhador do Prêmio Esso de Jornalismo, Amaury Ribeiro Jr.
 
 
Tudo indica que 2011 irá se juntar a 1968 para ser 
Na feliz expressão de Zuenir Ventura 
Mais um ano que não terminou.
 
 
Sintonia Fina 
- Washington Araújo via Limpinho e Cheiroso


"O jornalismo é, antes de tudo e sobretudo, a prática diária da inteligência e o exercício cotidiano do caráter"
(Cláudio Abramo) 

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