21 de mar de 2012

FEIOS, SUJOS E MALVADOS

Veja aqui o que o Partido da Imprensa Golpista (PIG) não mostra!


O papelão do Serra é o sarcástico título do artigo (vide aqui) em que o jornalista Gilberto Dimenstein relembra como arrancou de José Serra, em 2004, a promessa de não renunciar à Prefeitura de São Paulo para disputar cargo mais elevado adiante. Como todos sabem, Serra acaba de minimizar o episódio, com uma declaração das mais infelizes:
"Assinei um papelzinho, não era nada oficial".
Dimenstein rebate que, embora Serra agora chame o documento de papelzinho, tratou-se, isto sim, de "um papelão, por desrespeitar a palavra empenhada e o valor de uma promessa".

O jornalista pegou Serra no pulo durante uma daquelas sabatinas a que a Folha de S. Paulo submetia os candidatos a prefeito. É óbvio que, naquele momento da campanha, seria desastroso para Serra não rechaçar categoricamente a hipótese de renúncia no meio do mandato.

Mas, se sua assinatura lhe facilitou a conquista do objetivo imediato --vencer a eleição--, tornou-se um bumerangue que a toda hora o atinge, deixando em cacos a sua imagem.

O ato em si, de ter governado meros 15 meses ao invés dos 48 que os paulistanos lhe concederam, já repercutiu pessimamente. Numa pesquisa que o DataFolha realizou três semanas atrás, 76% dos paulistanos disseram lembrar-se do episódio; 66%, que ele agiu mal; 70%, que ele não deveria fazer isso novamente; e 66% afirmaram acreditar que ele repetirá a dose em 2004, saindo, desta vez, para disputar a Presidência da República.

Quanto a firmar um compromisso e não honrá-lo, isto vai contra os princípios de todas as pessoas dignas.

Lembro-me do meu saudoso avô, fabricante de móveis, que mandava desembalar a mercadoria já pronta para entrega se via um risquinho ínfimo: "É o meu nome que está nesta mesa. E o meu nome não pode circular riscado por aí", disse certa vez.

E, como minha avó o aporrinhasse com pesadelos malucos de que o mar invadiria Santos, certa vez ele desabafou na barbearia que, por tal quantia (bem menos do que valia), ele venderia o apartamento que lá possuía. Alguém ouviu e disse que fechava o negócio. Pesaroso, o velho preferiu perder dinheiro do que perder a dignidade.

Enfim, Serra viajou na maionese ao referir-se com tamanha leviandade ao que a maioria --felizmente!-- considera uma falha de caráter.

Outro tiro na mosca de Dimenstein foi lembrar que outros políticos tiveram o mesmo comportamento de Serra, embora não chegassem ao cúmulo de desprezar a posição de prefeito da maior cidade brasileira:
"Gabriel Chalita foi eleito vereador e logo foi embora, antes de acabar seu mandato - exatamente como fizeram José Aníbal e Soninha".
 
 
 
 
É por estas e outras que, quando o filme Feios, Sujos e Malvados (Ettore Scola, 1976) ainda estava em certa evidência, a muitos ocorria qualificar desta forma os políticos brasileiros...
 
 
Sintonia Fina
- Náufrago da Utopia

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